20080210

(a)cúmulo

  • Meu computador usual — o Principito — foi levado, na semana passada, para um lugar decente. Constatado o problema, placa mãe e fonte, custará uma nota para voltar a operar — muito acima dos 380 prometidos pelo safado especialmente porque só a minha placa mãe está na casa dos 900. Porém, minha mãe paga um seguro residencial e que felizmente cobre o dano causado pelo maldito raio. Não sei quando nem nada, e considerando o tanto que eu conheço de seguradoras, por meio de filmes (essencialmente) provavelmente levará uns quatro anos para pagar o computador. E enviará uma pessoa para investigar tudo aqui em casa, que será muito metódico ainda que atrapalhado e desastrado, causando inúmeras confusões enquanto estará às voltas com uma garota que será charmosa e desencanada, com um estilo de vida totalmente diferente do seu. E será interpretado pelo Ben Stiller.

  • Estou feliz de dizer que apesar do Principito estar fora de questão, no momento, ressucitamos meu antigo computador, que estava com um curto na placa de rede e não ligava. Sanado o problema, agora ele funciona. Não que seja bom ou ruim. É tolerável. Mas na medida do possível. Sinceramente, depois de me acostumar ao outro computador, isso aqui me faz sentir como se eu estivesse em um episódio de Além da Imaginação. Eu fui postar pelo Blogger e ele levou mais de um minuto para transcrever uma única linha do que eu tinha digitado aqui, a primeira desse post. Estou no Bloco de Notas que felizmente responde instantaneamente a minha digitação. Está insuportavelmente lento — no duro. Outro exemplo é a instalação do programa da câmera digital. Está instalando há, literalmente, cento e quarenta minutos. Estou perto assim de mandar o programa às favas e esperar o meu outro computador voltar para mexer com as fotografias.

  • Ontem eu comecei um curso de História do Cinema ministrado pelo "jornalista, cineasta, professor e crítico de cinema" Alfredo Sternheim e que será semanal, aos sábados até o final do ano. A primeira aula foi boa. Faltou exibir alguns filmes que foram, pelo menos, citados mas que provavelmente deixou tudo um pouco mais suspenso para quem não conhece muito do período, aquele do início do cinema. Eu não conheço muito mas conhecia alguns tantos dos quais o Alfredo citou então foi bastante proveitoso. A minha impressão de que faltou ilustrar um pouco mais foi reforçada após um pequeno intervalo de dez ou quinze minutos em que tinha um número um pouco menor de pessoas, aparentemente. Acho que só será possível realmente falar em evasão na próxima semana, caso ocorra baixas significativas. De qualquer maneira, quem estiver interessado em um curso gratuito de História do Cinema pode se inscrever. Não sei bem se para esse módulo mas no site tem mais informações. Os telefones são (11) 4125-0582 e (11) 4123-8083. Liga lá!

  • Amanhã começa oficialmente as minhas aulas na faculdade. O quinto semestre de Mídias Digitais. Estou curioso para ver o que será dito sobre o TCC, que sei (ou imagino) que terá uma participação nesse semestre e será a estrela do próximo. O que torna oficialmente hoje, dez de fevereiro, meu último dia de férias.

  • Estou quebrado, em período de recessão. Preciso de um emprego ou as coisas não ficarão muito boas. Preferencialmente um estágio ou qualquer coisa assim porque eu vou terminar o meu curso no final do ano. Já falei que só será após um TCC?

  • Hoje, em São Bernardo, há a Mostra de Cinema Internacional. Hoje os filmes são "Infância Roubada" e "Piaf — Um Hino Ao Amor", sempre com exibição em película (de acordo com os organizadores). O ingresso custa 3r$ e com direito a meia entrada para estudantes.

Vou lá,

20080206

Tac tac tac tac tac tac

Estou em uma Lan House. Uma Lan House em Jacareí. Estou aqui de passagem, vou a Campinas amanhã para acompanhar o meu pai que tem que levar uns documentos até lá e eu vou por mero turismo. Pretendo ver a exposição Loucos por Cinema no Sesc Campinas — trabalhei na mesmo exposição aqui em Santo André porém fiquei curioso para ver como seria a montagem dela em um lugar diferente. Vai ser um belo passeio. Continuando, estou na tal lan house de Jacareí, cercado de uma porção de estranhos que digitam compulsivamente em seus computadores, atentos aos monitores, em Messengers e Orkuts da vida. Não estou prestando muita atenção, estou com um pouco de pressa, precisava vir e escrever um pouco. Cercado do tac tac tac tac dos outros, sinto-me incrivelmente aliviado de fazer meu próprio tac tac tac tac. Então tac tac tac tac.
Os posts anteriores foram feitos pelo celular. Não é uma solução elegante nem sequer interessante. É um quebra galho, postei algumas coisas mas não pretendo manter o hábito — é cansativo, o teclado é desconfortável e chato. Tem uma limitação assustadora de 1024 caracteres ou algo assim então eu acabava escolhendo demais as palavras para postar com medo de ser interrompido por limitações técnicas.
Tac tac tac tac tac tac; Não abri Orkut nem Messenger aqui, prefiro fazer isso em casa quando tenho meu computador em casa, confortável, onde posso estar de pijamas e tomando um café, em silêncio, sem pressa em relação às horas. tac tac tac e já se passaram vinte minutos, aproximadamente que eu estou aqui. Escrevendo, apenas dez ou doze.
Gosto de escrever pelo teclado. Uso canetas ou lápis ou carvão ou sei lá o que tiver em mãos para escrever ou desenhar mas para escrever escrever, meus dedos macios e preguiçosos sempre gostaram de utilizar um teclado. Mesmo máquinas de escrever me empolgam muito, usei bastante para trabalhos ou diversão pessoal, errando as teclas vez ou outra e machucando os dedos nesses erros de digitação, nas ferragens entre teclas. Então, um dia surgiu o computador e seu teclado macio e indolor, com comodidades incríveis como o backspace, delete, page up e page down. Acho que cada pessoa tem uma maneira preferida de escrever, se escrever faz parte da sua gama de expressão e não considero a predileção por teclado confortáveis um demérito de forma alguma. Clarice Lispector escrevia em uma máquina de escrever. Arturo Bandini tinha sua fiel máquina de escrever ao seu lado para registrar seus momentos de inspiração — anotações a mão onde não é posivel digitar, sempre faço, é bom notar.
Enfim, o homem do computador disse que a placa mãe do computador queimou. Não sei, não acendia uma luz sequer na porra da CPU e o drive de DVDs não abria. Até onde eu sei, se é apenas a placa mãe, o computador tem alguma energia para acender uma luz verde ou abrir a bandeja de DVDs. Mas ele, muito solícito, ofereceu trocar a minha placa mãe que é meio "defasada" ou algo assim por uma placa mãe ASUS super moderna e teoricamente melhor que a minha atual por apenas 380 reais. Trezentos e oitenta mangos numa placa mãe nova e com entrada FireWire, Wi-Fi nativo e o caralho? Não é muito acima disso, ou é, deus sabe. Eu sei que não confio nesse cara por uma série de motivos que não cabe aqui, especialmente porque eu só tenho mais 26 minutos aqui porém, não confio. Ele falou com a minha irmã e minha mãe vai buscar o computador e levar a um outro lugar, um lugar de um rapaz muito bacana e tudo e que acredito que será um pouco mais justo nessa avaliação.
Não sei quanto tempo mais eu vou ficar sem o meu computador e não sei bem o que fazer em relação a isso.
Estou escrevendo algumas coisas, manuscrito mesmo, para não perder o hábito e tenho tirado algumas fotos que em breve poderei publicar aqui.

Sou um homem em pleno Blackjack sem computador e pagando um e cinqüenta por hora de utilização da internet. Eu preciso arrumar um emprego e eu preciso me comprar um laptop, mas o laptop não é urgente. Não tive um até agora e posso viver sem um por mais algum tempo. Mais algum tempo considerando que eu tenha o meu fiel computador me esperando, em casa.

O único alívio do orçamento, por mais que seja um orçamento muito suspeito, é que o HD não deve estar danificado. Então tenho quase que certeza de que minhas fotos, vídeos, trabalhos, e-mails, projetos acabadados e inacabados e qualquer outra anotação estão lá, só aguardando por mim. Ou isso ou o cara estaria me dando um computador novo por 380r$. E se for assim, eu quero mais um, por que não?

Ah sim, meu aniversário passou e o inferno astral acabou. Tudo está normal, já. Astrologicamente falando, claro.

Até breve,

(É favor desconsiderar qualquer erro de digitação encontrado aqui)

20080201

Car-na-va-L

O orçamento do computador sairia hoje ou só na semana que vem, por causa do carnaval.

Obviamente meu computador não volta antes de quarta-feira.
E apesar disso, tá tudo bem. Estou tão cansado que não consigo me concentrar.
Graças à exaustão, estou com um péssimo, Péssimo Humor. Provavelmente o primeiro (e certamente não o único) de 2008.


Vou dormir um pouco.
Em pleno carnaval.

que absurdo.


BANG

Depois de amanhã é meu aniversário.

Graças a um raio, ontem meu computador queimou.

Obrigado,

20080128

Pensamento positivo

Na pior das hipóteses, eu acordei na hora e já vou sair de
casa para chegar a tempo na gráfica safada para então
chegar no lugar para apresentar meu porta-fólio.
Preferencialmente a tempo. O que, considerando
as possibilidades, seria um
bônus.

20080127

[POSFÁCIO] Jeová não mora mais aqui

"Devia ser uma história religiosa, porém termina puritana. Sinto que você o censura por todos os 'Que se dane'. Acho isso errado. Quando ele, Les ou qualquer outra pessoa diz 'que se dane' para tudo, não será isso simplesmente uma forma inferior de oração? Não consigo acreditar que Deus reconheça qualquer tipo de blasfêmia. Essa é uma palavra medrosa, inventada pelo clero."

J.D. Salinger
(Mais uma vez)

Jeová não mora mais aqui

Devem ter aberto uma igreja nova aqui nas redondezas porque não é possível. Ontem, pela manhã, dois senhores batem à porta. Um silêncio mortal caiu sobre a casa. Minha mãe olhou rapidamente por uma fresta da janela e viu que eram testemunhas de Jeová. Ela tomou um café, folheou o jornal e deu mais uma olhada. Eles ainda estavam plantados no portão. Ela saiu para o quintal com tom de poucos amigos. "Pois não?" e eles perguntam "Bom dia, podemos falar com a senhora por uns minutinhos para--" "Não, não podem não", ela já falou de uma vez. Eu não vi a expressão deles porém ela disse que eles ficaram meio sem reação e tudo, agradeceram e foram embora.

À tarde, mais no final da tarde, a campainha toca. Eu fui atender sem olhar quem era. Incrivelmente era um outro maldito testemunha de Jeová, dessa vez um bem jovem. Entre as coisas que passam pela sua cabeça quando você recebe dois testemunhas de Jeová no mesmo dia, acho que posso citar "Castigo divino", "Preciso achar um exorcista", "Cadê esse Deus que eles tanto falam?", "Se eu atender mais dois testemunhas de Jeová eu ganho uma Bíblia de brinde?" e "Jeová. Je-O-Vá. Je. Oooo. Váááá. Nome gozado". Porém, só disse um Boa Tarde. Achei engraçado porque o rapaz era realmente jovem. Por um momento pensei em perguntá-lo quantos anos ele tinha mas então considerei que eu mesmo só tenho vinte e se eu o perguntasse quantos anos ele tinha, afinal, soaria como se eu fosse uma dessas pessoas velhas que ao ouvir que a outra pessoa é muito mais jovem erguem as sombrancelhas e suspiram com arrogância como se dissessem, com um tom falsamente condescente "Ah, meu jovem. Eu já passei dessa fase" como se a velhice fosse o ponto máximo de alguma sabedoria tão mística e inacessível para outras pessoas de mais tenra idade. Mas estimo que o rapaz tinha aproximadamente a minha idade ou no máximo dois, três anos mais novo. Outra coisa que denunciava sua inexperiência na arte de catequizar índios, digo, espalhar a palavra de Jeová era que ele era um pouco tímido. Gaguejava um bocado e não agüentava me olhar nos olhos por muito, ficando sem palavras e olhando para o lado para reencontrá-las.
Ele me mostra umas perguntas num livro que achei que fosse uma Bíblia mas não, eram aqueles panfletos que mostram pessoas no paraíso, comendo de uma mesa farta enquanto leões e avestruzes, cachorros e crianças correm e brincam por um lindo campo verdejante. Eram centenas desses panfletos, encadernados. Mostra aquelas questões do tipo "por que estamos aqui?" ou "existe vida após a morte?". Me pergunta se eu já tive alguma dessas dúvidas (eu sou um ironista da pior espécie, meu cérebro deve ter uma parte especial para ironia e afins porque junto do raciocínio lógico, automaticamente, há algum comentário inadequado. É bárbaro! Só que aí eu pensei em como é desgradável questionar as pessoas pela sua fé e tudo ou mesmo ridicularizar algo que a pessoa realmente acredita. Decidi me segurar) e eu respondi que já sim, claro.
Ele me pergunta qual delas eu gostaria de saber a resposta. Olhei bem no fundo dos olhos dele porque achei isso meio presunçoso e voltei os olhos para aquelas perguntas de 20 reais. Achei tudo meio bobo naquele momento e disse "Agora, assim, não me interessa nenhuma delas. Essas são aquelas questões que surgem porque estamos aflitos ou coisa que o valha. Agora, não estou aflito" o que era uma mentira. Tinha todo o drama do porta-fólio em cima da minha cabeça mas juro que entre as questões não estava "Não consegui imprimir meu porta-fólio. Estou condenado a queimar no inferno?". Ele me olhou e disse "E o que acontece com seus entes queridos, familiares e amigos depois que eles morrem, você sabe?" e eu disse "Eles morrem, ué. Finito." e aí ele gaguejou um pouco, espremeu algumas sílabas confusas e em resumo, não era bem aquilo que ele tava falando. "Ah. Você tá falando do negócio de vida após a morte?", perguntei, e ele falou que era. Então ele começou a contar uma história fantástica sobre todo mundo que morreu ser julgado e então os bons voltarão para viver uma eternidade feliz e os maus serão eternamente castigados ou mortos logo de cara ou algo assim. Para interagir, ele me pergunta "não seria ótimo se algum parente seu que morreu voltasse à vida e viesse ao seu encontro novamente?". Pensei em quem eu conheci que já morreu e há quanto tempo isso aconteceu. "Depende do estado de putrefação", respondi.
Não resisti. Pensei em seguida Se eles são as testemunhas, eu sou o promotor! e sorri por dentro. E o que se seguiu foi uma porção de levantamentos tão fantásticos quanto o outro e a cada vez ele citava um trecho da Bíblia, versículo e tudo, abria no tal trecho e me apontava com as mãos trêmulas enquanto lia, devorando vírgulas e fazendo tom de profecia a cada ponto final. Pensei em perguntar sobre isso também, como eles conseguiam saber os trechos mais convenientes da Bíblia na ponta da língua sendo que eu só consigo manter memorizado um CEP e se eu leio outro preciso me concentrar pra trazer o meu de volta. Mas não tinha essa questão no começo. Depois que ele falou que Deus colocou Jesus em Maria, ainda virgem, ele colocou um manto, invólucro ou coisa assim ao redor de Jesus na barriga da Maria para Jesus não entrar em contato com a imperfeição de Maria. Sensacional! Falou um pouco mais de como o homem é imperfeito e tudo e eu perguntei se a Bíblia foi escrita por homens, portanto seres imperfeitos, por que diabos ele se baseava nela tão firmemente, porque no final das contas eles falam da palavra de Deus mas passou por esse filtro imperfeito. Obviamente ele tinha um trecho para apontar. Um trecho em que um cara escreveu "E todas as palavras aqui escritas não foram alteradas pela percepção do homem, não há nenhuma interpretação se não as palavras de Deus" ou algo assim. Acho que isso figurou entre as justificativas mais pífias de todos os tempos. Conveniência total.
Eu o disse que isso era conveniente, que eu mesmo poderia escrever absolutamente qualquer coisa e então falar que não fui eu, que Deus quem escreveu e eu só servi de caneta. É como aquele filme ruim que passa à noite na TV que se justifica dizendo que foi baseado em fatos reais. Eu o falei que, honestamente, a Bíblia fala de coisas coerentes e coisas incoerentes porém ela não era, em absoluto, prova de alguma coisa porque a fé não depende de provas, ou você acredita ou não. A fé não é concreta mas uma Bíblia é e é irreal que algo tão vasto e inexplicável como a fé tenha como prova um livro velho e extensamente traduzido e modificado ao longo dos tempos. Citei que há traduções ou mesmo edições originais de livros publicados há um século que foram tão adaptados ou reeditados que pouco a pouco as palavras se perdem e orações ganham outro sentido.
Ele me olhou por um instante. Parecia um pouco sem palavras. Pensei que tinha vencido. Então ele conta sua experiência pessoal, que ele também pensava assim quando ele via a mãe estudando a Bíblia e que hoje em dia a compreende e compreende melhor a Bíblia, não pensando mais assim. Ele fez o mesmo tom falsamente condescente que eu citei que me ocorreu quando vi que ele era tão ou mais jovem do que eu. Mas no caso, o tom era menos "ah, meu jovem" e mais "Ah, meu caro. Eu também já fui um infiel nojento sem nenhuma crença". Primeiro fiquei puto, claro. Depois achei engraçado porque ele falou que a Bíblia é verdade porque ela contém profecias escritas há tantos anos e que estão se realizando agora, claro, apontando um outro trecho, versículos x e y. O trecho era aquele de que nação se levantará contra nação e etc. Diante da minha cara incrédula, ele já se corrigiu falando que não é de hoje que o homem entra em guerra, "Porque esse trecho fala de guerra entre nações diferentes, nações contra nações", ele tenta me explicar porém, o negócio daquilo ali era que a Bíblia já tinha dito que seria assim. E puxando outro trecho que dizia algo como "No final dos tempos, o homem amará mais a si mesmo do que a Deus ou aos outros. Será infiel, desleal, ambicioso e tudo o mais. Passará fome, causará a morte e isso levará a sua destruição" - Note que eu não lembro com exatidão do trecho, só o sentido geral.
Ele me questiona em um tom convencido se não era verdade que hoje em dia muita gente passa fome e tudo.
Citei que no século XIV, a população mundial conhecida até o momento era tão vasta e tão populosa que muita gente passava fome e havia um racionamento constante de alimentos. E as pessoas brigavam por isso. Então, em 1347 quando houve a epidemia da Peste Negra, em apenas três anos a população foi derrubada em 50%, para cerca de 22 milhões de pessoas. No período, houve conflitos inúmeros para achar um culpado pela causa de tantas mortes. Quando a epidemia acabou, e a população sobrevivente e saudável consideravelmente mais magra, houve fartura e de repente quem trabalhava no campo tinha se tornado dono de terras e os donos de terras, dito nobres, não tinham quem trabalhasse para eles o que os obrigou a ter de produzir seus próprios alimentos. Como não tinham muita prática, preferiram pagar à "polícia" do tempo para que invadisse e saqueasse quem produzia alimentos e etc. Os policiais então desenvolviam novas técnicas de persuasão, inclusive o escalpo, ou seja, novos conflitos. Primeiro conflitos pela escassez, depois conflito pelo doença, depois conflito pela fartura - eu só sabia disso tudo porque na noite anterior eu tinha assistido a um ótimo programa do History Channel chamado "A Peste" que falava desse período todo.
Ele falou algo como "entendo seu ponto de vista" da mesma maneira que um atendente de telemarketing sempre o entende de forma a manter um tom pacífico na conversa. Eu falei, que sim, o era - comecei a sentir aquele sentimento mais questionador tomar conta sem perceber - porém de acordo com o tal trecho, aquele monte de desgraça se daria no final dos tempos. Então quer dizer que o homem sempre esteve no final dos tempos, não fazia muito sentido dizer que o final dos tempos é agora porque conflitos de todos os tipos sempre foram parte da história do ser humano e eu tinha acabado de citar um exemplo perfeitamente concreto do que, naquela época também se falava de final dos tempos.
Nisso, o telefone daqui de casa tocou. É uma técnica antiga, aqui. Quando algum de nós é pego por um Testemunha de Jeová, quem está a salvo dentro de casa liga do celular para o telefone fixo, fazendo-o tocar e te dando o álibi perfeito e socialmente adequado para se retirar.
Eu fiz menção de que precisava entrar para atender ao telefone e ele disse "Mas você tem que concordar que hoje em dia os conflitos e guerras e problemas do homem são muito maiores do que aquele época, não são?" e eu disse "Não sei dizer, eu não vivi aquela época, eu não tenho nenhum parâmetro para comparar. Agora, com licença, que eu realmente preciso atender o telefone".
Ele perguntou meu nome. Eu respondi. Ele então me perguntou se ele poderia voltar semana que vem para conversarmos mais. Eu perguntei o nome dele. Ele respondeu. Eu falei "Não sei se vou estar em casa semana que vem mas pode vir".
Semana que vem não atendo à campainha sem olhar por uma fresta.

O que nos traz ao dia de hoje, domingo. Hoje, agora pela manhã, a campainha tocou novamente. Eu olhei. Duas senhoras e uma moça caracterizadas a caráter e armadas com suas bíblias e livretos. De novo. Terceira vez no mesmo final de semana. E vi que muitos outros testemunhas de Jeová estavam pela rua. Minha rua é sem saída, ou seja, com certeza eles acamparam na única extremidade de fuga. Não baseio isso em fatos. Se fato fosse, eu teria que ter saído na rua para ver e provavelmente eu não estaria aqui escrevendo isso. Em dois dias escreveria sobre versículos inúmeros e em uma semana, o nome do blogue mudaria de O Pinball Mutante para O Bingo de Prendas. Ou Críquete de Jeová. Não sei bem ainda.

No momento, fica assim mesmo.

Eles têm seus versículos na ponta da língua e eu tenho minha própria crença que cito da mesma maneira.
E assim O Pinball Mutante continua.

Grafia

Esqueci de citar no outro post mas considero isso realmente útil porque quando eu pesquisei me deparei com esse site que me ajudou muito então vale um post novo.

Portfolio, portifólio e portfólio… qual a grafia correta?


Basicamente tira aquela dúvida sobre a maneira correta de se referir ao seu conjunto de trabalhos.

Daí só depende de você não deixar a impressão do recheio para a última hora.

20080126

Cinco reais

Há dois dias me chamaram para uma entrevista de emprego, na segunda-feira. Na verdade, já fiz a entrevista, uma vez. Essa é uma segunda entrevista, deverei apresentar um porta-fólio e tudo.

Na verdade, a entrevista deveria ter rolado semana passada, na segunda-feira. Me ligaram pela manhã e disseram que eu deveria estar lá às 18h. Tudo bem, eu disse, levo alguma coisa? E tinha que levar o maldito porta-fólio. O dia passou muito rápido, foi o tempo suficiente para organizar arquivos no meu computador, tentar lembrar onde estava esse ou aquele trabalho bem legal para apresentar - que não encontrei - e se deparar com outros que não me lembrava e que eram bons também. Me aprontei e saí de casa. Me ligam do bendito lugar. A entrevista foi cancelada porque o senhor que me entrevistaria não conseguiria chegar a tempo. Foi um desses dias que você liga o televisor e vê que São Paulo tornou-se uma cidade submarina. Me ligariam em até dois dias para marcar uma nova data. "Tudo bem", eu disse. Estava tranqüilo porque seria fácil já que tinha organizado tudo, seria só questão de imprimir os trabalhos no decorrer da semana. Por alguma razão, a semana passou sem eu perceber, marcaram a próxima segunda-feira e de repente, era ontem. Ontem foi aniversário de São Paulo. Eu me enrolei. Hoje eu fui a uma gráfica imprimir alguns dos meus trabalhos porque eu tenho apenas umas míseras fotos de outros projetos.

A gráfica estava fechada.

Tudo bem, vamos a outra gráfica rápida que eu conheço. Estava aberta. "É a cores ou pb?" o homem me pergunta. É a cores, meu senhor. Ele pega o DVD com os trabalhos para ver o que era. Anda para lá e para cá enquanto uma moça olha o conteúdo do disco. Pergunto o valor que eles cobram. Ele começa a escrever em um papel sem falar nada. Não entendi a razão daquilo. Acho legal quando escrevem mas não, ele escrevia em silêncio e terminando de escrever me passa o papel como se estivesse me fazendo a mais indecente das propostas. O valor era aceitável. O que achei um absurdo foi uma taxa cobrada para abrir os arquivos. Disse em voz alta "Cinco reais para abrir os arquivos?". Como se não fosse a coisa mais absurda do mundo, ele diz um natural "Isso". Senti fervilhar. Não tenho certeza mas há alguma maneira de alguém levar trabalhos para serem impressos sem que se abra um arquivo? Não falo de cópias comuns, xerox ou coisa que o valha. Impressão de conteúdo original. Pois é, cheguei à mesma conclusão. Safado. Não conhecia nenhuma outra gráfica rápida na região que estivesse aberta além dessa gráfica rápida miserável que cobra cinco mangos para abrir os arquivos pelos quais eu já pagarei para serem impressos. Respirei fundo. "Tudo bem vai, pode fazer". Não, não podiam pegar o trabalho hoje porque tinham um outro trabalho grande "mais de duas mil cópias" de alguma coisa para alguém que era à cores. Poderão imprimir isso na segunda, pra mim. Tenho que estar na segunda-feira às 9h em São Caetano com a droga dos trabalhos em mãos. Ele diz "Abrimos às oito e quinze". Rangi os dentes, agradeci e saí pisando duro. Filho da puta.

Cheguei em casa e sentei com a lista telefônica no colo. Pesquisei por gráficas rápidas na região e nada. Qualquer lugar muito mais distante fecharia quando eu chegasse na porta. Liguei em alguns lugares. Nada, nada, nada, nada, nada. Tentei me concentrar. Procurar uma outra solução. Qualquer solução. Liguei em mais alguns lugares e continuei sem nenhuma possibilidade de imprimir isso hoje. Amanhã é domingo. Segunda tenho que estar no tal lugar às nove horas da manhã com esses arquivos impressos. Tinha que conseguir algo. Penso, penso, penso, penso -- Espera.
Engoli à seco e contrariado. Sentindo o orgulho se ferir, concluí:

Segunda estarei na gráfica safada às oito e quinze da manhã.

De todas as possibilidades e impossibilidades, considero-me culpado por isso. Em parte. O maior responsável, pra mim, é claro. É esse maldito inferno astral.
Só faltam oito dias para esse maldito inferno astral acabar.

20080125

"Assim, pois, meu velho confidente, num espírito de congraçamento, antes que nos juntemos aos demais - os que estão espalhados por aí por toda parte, inclusive, estou certo, os loucos do volante de meia-idade que insistem em nos mandar para a Lua, os vagabundos que se crêem iluminados por Buda, os fabricantes de cigarro com filtro para os homens que sabem escolher o melhor, os beatnicks, os mal-ajambrados e os petulantes, os adeptos de cultos obscuros, todos os imponentes peritos que tão bem sabem o que devemos ou não fazer com nossos humildes órgãos sexuais, todos os jovens barbudos, orgulhosos e iletrados, bem como os guitarristas sem talento, os assassinos do budismo zen e os deliqüentes juvenis de roupas padronizadas, todos esses que, do alto de sua infinita ignorância, olham para este esplêndido planeta por onde (por favor, não me interrompa agora) passaram o Biriba, Cristo e Shakespeare -, antes de nos juntarmos a todos eles, eu muito particularmente lhe peço, velho amigo (para dizer a verdade, quase imploro), que aceite de mim este despretensioso buquê de recém-desabrochados parênteses: (((())))."

J.D. Salinger

20080121

Pratos do Dia

   Ou ainda, dos últimos dias e de alguns que ainda virão:




   E de sobremesa,



tic tac tic tac tic tic tic...