20071109

"Planeta Terror"

   Acabei de voltar de uma sessão de Planeta Terror.

   Não sei bem o que dizer ainda. Saí do cinema com uma impressão desagradável, de filmete medíocre. Honestamente, os filmes do Robert Rodriguez geralmente me deixam com essa impressão. Sin City eu achei uma bobagem, muito quadrinho e pouco cinema. E analisando agora, Planeta Terror sofre de um mesmo mal: O estilo se sobrepõe ao conteúdo. Em Sin City, o estilo incrivelmente fiel aos quadrinhos foi seu único mérito e seu grande defeito. Quadrinhos não são cinema e vice-versa. Cada mídia tem suas características próprias e a narrativa de uma nem sempre se encaixa exatamente na outra. Em Planeta Terror isso não precisaria ser um problema uma vez que é um filme que homenageia tantos outros, ou seja, tá tudo já meio que pronto.

   Mas Robert Rodriguez conseguiu inclusive diminuir o gênero em algo raso e pouco interessante. Quando li uma primeira crítica do filme, citaram A Noite dos Mortos Vivos. Citaram que Planeta Terror não vai além disso e etc. O que prova ser uma besteira gigantesca. O filme sequer se aproxima do filme do Romero. Novamente, o estilo se sobrepôs ao conteúdo: Houve tamanha preocupação com como os filmes pareciam naquela época, como eram os enquadramentos e os travellings, as cores, a sujeira na película, as falhas aqui e ali, a música, enfim, tudo o que caracterizaria um filme mais do tipo B que o filme em si soa menos interessante. O problema é que toda a estética adotada funciona, e funciona muito bem, nos primeiros minutos de filme. É divertido ver as manchas aqui e ali, o trailer falso em som tipo Mono exibido antes do filme, os movimentos desnecessários, as atuações excessivas de alguns coadjuvantes, o gore e sangue extremamente falsos e muito divertidos. Porém, passados esses minutos iniciais, a novidade acaba, para nós. Mas não para Robert Rodriguez. Para Robert Rodriguez isso nunca é demais. E o filme se encerra nisso.

   Daí, com exceção disso, tudo fica meio assim, com clima de displicência, pouco caso mesmo. O ritmo do filme é irregular e o mais assustador do filme foi o fato de eu ter notado que em muitos momentos eu estava entediado no cinema. Durante um filme de zumbis e ação. Considerando como eu aprecio filmes de zumbis - tanto os lentos como os rápidos - e como eu esperava por esse filme, achei estranho.

   Pomba, até meu desktop tá com o papel de parede do Planeta Terror:

Eu, muito feliz, aguardando a estréia do Planeta Terror.


   Daí entra aquela questão: "Oras, você estava ansioso, com expectativas em alta e elas não foram supridas, acontece". O problema é que minha única expectativa era me divertir e ver sangue falso e algumas explosões na tela. Por esse lado, realmente, foi tudo ok mas o problema do filme é esse ritmo irregular, mesmo. E como lida com muitos personagens o tempo todo, sem nenhuma profundidade ou sutilezas, você freqüentemente se pergunta por que diabos eles cortou a história ali e mudou para o outro personagem ou coisa do gênero. Ironicamente, essa cartilha de corte + corte + corte = filme dinâmico não funcionou, e o filme dependia muito disso. Aí a história parece estar sempre perdendo o foco, o que o faz perder o foco, por conseqüência.

   Apesar de tudo, o filme não é uma merda. É um médio-bom, no máximo. Não acho que o filme recrie os filmes dos gêneros apresentados com tanta fidelidade mas sequer consegue encontrar sua própria voz. Um colega me disse que "O filme não quer ensinar nada, só quer divertir e para isso, ele o faz com louvor". Não esperava lições de vida em um filme chamado Planeta Terror nem acho que um filme precisa ensinar algo para ter algum valor. A mensagem do filme é clara e pouco aproveitada, eu acredito. Vale a pena por algumas seqüências muito boas e muito divertidas mas a impressão geral não é tão divertida. Com Kill Bill Vol. 1, que também se propõe a divertir somente, eu saí do cinema andando nas nuvens. Repeti a dose no cinema, na época tinha o filme gravado em um porco VCD (Duplo!) e atualmente o possuo em DVD. E continuo achando extremamente divertido e sensacional. Não sei se com o passar do tempo eu vou acabar gostando mais de Planeta Terror. No cinema não pretendo rever, certamente. Um lançamento em DVD ganha minha locação, já. Pode ser que no televisor tudo pareça mais interessante, quem sabe?

   Agora é só aguardar o lançamento de À Prova de Morte, do Tarantino que todo mundo que já viu, crítico de cinema ou não, diz que é melhor e etc. Eu aguardava com mais interesse para assistir ao Planeta Terror, por causa do tema tão apetitoso ainda que sempre tive meus problemas com o Rodriguez. No momento, em questão de expectativas, eu diria que há um empate.

20071107

Como as coisas funcionam!

   O site Howstuffworks apresenta artigos que mostra como as coisas funcionam, literalmente. Eles dizem que é para você aprender como "tudo" funciona. Um dos meus artigos favoritos é, definitivamente o que explica como os Zumbis funcionam. Na parte de ciência.

   Na página 4, uma das mais úteis, o site apresenta dicas para o "Zombie Self-Defense" e como evitar os erros mais comuns.

   Entre os erros, o mais justo: Deixar sentimentos e argumentos ficarem na frente da sua sobrevivência.

   Aliás, todos os artigos do dito "Canal Sobrenatural" do site são incríveis, ainda que não tenha lido todos ainda. Os títulos vão desde "Os animais podem pressentir a morte?" até o Chupacabras, além de como o Déja Vu, Mummies e Nirvana funcionam, o que deve ser interessante para essa moçada que tá a fim de montar uma banda grunge ou uma dupla meio merda brasileira.

20070907

Ah... o velho jogo da sedução!

Assunto:     é chegar e pegar a mulherada. batata!!!
Data:            Fri, 7 Sep 2007 04:11:49 -0300
De:                 carla [carla@promovend.net]
Responder a:      carla [carla@promovend.net]
Para:      [captdimitri@yahoo.com.br]


Se vc quer chegar pegar a mulherada esta é sua vez.
O perfume Apaixonante e batata, é passar e a mulherada
fica doida. Só passo o site prá quem está interessado, ok?
É UMA FACA DE DOIS GUMES pra mulher conquistar homens, e duas gotinha no pescoço e deixar
o cara babando... é tira e queda. O site é este http://www.comprafacilja.com


Batata ou não, eu não clicaria no link se eu fósse vc, ok?

20070905

O melhor sanduíche da história

   Ontem fui ao Burger King. Comi o melhor sanduíche de todos os tempos. Chama-se BK Stacker. Há o duplo, o triplo e o quádruplo, correspondente com a quantidade de hamburgeres, queijo e bacon que virá. Obviamente comi o quádruplo.


   É incrível como é delicioso. E quase mortal. De acordo com esse artigo na Wikipedia, o quádruplo, composto de quatro hamburgeres e oito fatias de bacon tem 1000 calorias, 240mg de colesterol, 1800mg de sódio e 3g de gordura do tipo trans. Nesse artigo sobre gordura trans, dizem que o recomendável é consumir até 2g de gordura trans por dia, e o consumo excessivo aumenta as chances de aparecer "a placa de gordura no interior de veias e artérias, que pode causar infarto ou derrame cerebral".

   Não sei se a versão brasileira tem as mesmas características nutricionais. No fundo, eu realmente não me importo, eu só procurava o número certo de bacons que o BK Stacker tem, via de regra. E esse número é oito. Deliciosamente mortal ou mortalmente delicioso? Eu diria, se me permite licença poética, que é deliciosamente delicioso.

   Se você come carne e, como eu, não acredita em gordura trans, deus, coma esse sanduíche. Se você acredita na marvada, recomendo comer pra entender como a gordura trans melhora a sua comida.

   Sei que isso soa muito como propaganda mas é que eu fiquei tão feliz, um tanto emocionado até, em encontrar um cheese bacon tão farto e saboroso que estou, informalmente declarando o fim do "Circuito X-Bacon". Não quero me antecipar mas agora, duvido muito que outro sanduíche me impressonará tanto. Pomba, assim que eu peguei o sanduíche e dei a primeira mordida, logo senti o bacon crocante e no ponto. O delicioso hamburger da Burker King, grelhado. E cãibra no maxilar.

   Francamente, ao comer o sanduíche você entende o que é a cãibra. É um sinal de que deus quer espalhar a sua palavra através de deliciosas oito fatias de bacon.

OBS: A foto do sanduíche na Wikipédia está um horror. Desconsidere-a. O que eu comi, pelo menos, era melhor do que a foto de divulgação que eu postei aqui, no duro mesmo!

20070903

Blade Runner - The Final Cut


   Exibido pelo Ridley Scott no sábado, durante o 64º Festival Internacional de Veneza, mais uma montagem do filme Blade Runner que, de acordo com o diretor, "esse sim é 'Blade Runner' como eu o havia imaginado".

   Por um lado, acho a atitude interessante. Afinal, a obra é dele, e ele a manipula como quiser. Se você não gostar, ignore-a ou faça você mesmo um novo "Blade Runner", oras. Por outro, não gosto tanto dessas alterações de obras consagradas, atualizações de toda forma. Aprecio restaurações, definitivamente. Isso deveria acontecer até com maior freqüência, para preservar as obras. Mas essas alterações acabam, pra mim, rompendo com a beleza errada de um filme de um diretor inexperiente, um filme que simplesmente simboliza aquele período da vida dele e do mundo, de forma geral.

   Na realidade, isso dificilmente se caracterizaria um problema, uma vez que considero o primeiro lado, acima de tudo. Porém, o caso de "Blade Runner" retringe a propriedade intelectual da versão original uma vez que, após o lançado da "Versão do Diretor" em 1992, a versão original (Existem duas: A "Versão de Cinema" e a "Versão Internacional") tornou-se rara. Aliás, quase que impossível. Fitas VHS antigas, que você encontra por aí geralmente já são da versão do diretor. Os DVDs, o mesmo problema. Consegui ver a "Versão de Cinema" apenas após baixar o filme em Divx, apenas. A "Versão Internacional", se é que há tanta diferença assim, nunca vi. Com isso, a sensação que fica é que o Ridley Scott não apenas faz alterações da sua obra mas nega o passado dela, o que é um erro tremendo.


   O problema todo, dizem, é que como em 1982 ele estourou o orçamento do filme, editaram "Blade Runner" sem a participação do Ridley Scott. Em 1992, para redimir o problema, Ridley Scott lançaria a dita "Versão do Diretor", contudo, novamente disse que o apressaram, etc, etc, etc, não foi dessa vez. Essa "Montagem Final" começou a ser feita em 2000 e não foi lançada antes por problemas judiciais até que, ano passado, foi relançada a "Versão do Diretor" em DVD - naquela caixa vermelha bacanuda e agora, no aniversário de 25 anos da versão original, essa "Final Cut" "será projetada em salas de Nova York e de Los Angeles em 5 de outubro, e depois será distribuído em todo os Estados Unidos a partir de 18 de dezembro".

   Essa distribuição a partir de dezembro será através de DVD (E nas recentes HD-DVD e Blue-Ray) e é aqui que a coisa fica interessante. Haverá uma versão dupla da "Final Cut":


   Uma versão quádrupla com todas as versões existentes incluindo a "Final Cut":


   E por fim, uma edição ultra especial com cinco discos e um monte de frescuras como um unicórnio em Origami, um documentário de três horas e meia, fotografias e etc, além de um outra versão ainda, a "Versão Workprint", que dizem ser a "mais radicalmente diferente" - a conferir:
(Há um comentário no Amazon.com que detalha os Extras da versão)

   Ficam as dúvidas em relação ao lançamento disso aqui no Brasil. Acho improvável - mas não impossível - o lançamento nos cinemas daqui, nem que seja em um ou dois. E o lançamento em DVD, honestamente, adoraria ver a versão da maleta e cinco discos mas acho mais provável a edição de quatro discos ou mesmo a de cinco discos em caixa, enfim. A Warner, aqui no Brasil, não tem sido muito generosa. Por exemplo, vende os filmes do Kubrick, daquela coleção de caixas brancas, ultimamente a um preço consideravelmente baixo o que indica que poderiam lançar as edições duplas e especiais de alguns desses filmes ("2001 - Uma Odisséia no Espaço", "Laranja Mecânica" e "O Iluminado" já são possíveis de comprar em pré-venda, com lançamento em outubro, lá fora) mas não há nenhum anúncio do tipo, por aqui. Freqüentemente esse tipo de coisa simplesmente não chega aqui ou chega com limitações.

   Lá, nos Estados Unidos, duas edições especiais de "O Mágico de Oz" foram lançadas. A dupla e a tripla. A diferença ficava no tipo de embalagem, mais extras na edição tripla além de bobices como 9 fotos, uma reprodução do ingresso da estréia do filme, um livreto, esse tipo de coisa que todos adoramos. Aqui no Brasil só foi lançada a edição tripla, que apesar de parecer limitante, é compreensível, pelo menos lançaram a melhor versão. Os extras, nos discos, todos intactos e legendados, o que é ainda pouco usual, aliás. Porém, das nove fotos, apenas cinco figuram na embalagem tupiniquim, e só. Nada de livreto ou ingresso. Ainda assim, considero um lançamento de extrema qualidade, considerando o mercado brasileiro de DVDs, de maneira geral e da minha coleção pessoal, é dos que tenho mais orgulho.


   De volta ao "Blade Runner", mesmo que vier sem os extras físicos - unicórnio de origami, fotografias e etc - já ficaria extremamente feliz de um lançamento competente, e legendado, do filme, com os cinco discos. O legal seria a um preço acessível, afinal, lá está sendo vendido a US$55. Claro, nesse aspecto já não tenho nenhuma esperança mas em relação a uma edição decente, por que não?

20070825

O Destino de Poseidon

   Graças a HBO, vi o novo "Poseidon", com o Kurt Russell e etc. Não sei se fui eu que perdi o foco do filme ou esta versão do filme é a alegre história de como a Fergie é consumida pelo mar e todos vivem felizes para sempre?

20070824

Acabou o drama

   Pois bem.

   Aparentemente meu amigo roedor leu o relato aqui ontem e enfim, entregou-se.

   Hoje pela manhã foi encontrado, semi-morto. Acho que o veneno deu certo no final das contas ou de fato, convenci o rato, modéstia à parte.

   Aliás, após vê-lo, entendi o porquê da ratoeira não tê-lo beliscado e pouco tinha a ver com possessões ou Ratos-Aranhas: Ele era realmente minúsculo, sequer tinha peso pra ativar aquela geringonça.


   Alguém quer comprar duas ratoeiras, semi-novas?

20070823

Ra·ta·tui

   Após um susto no quintal, minha mãe proclamou: "Tem um rato aqui em casa". Apesar dos esforços, ele alojou-se aqui, na sala onde fica o computador. Só descobrimos a criatura após notarmos um pouco de serragem, roída de um móvel e assim sendo, colocamos veneno aqui. Não qualquer veneno mas o Mortein Isca Para Ratos, um pacotinho simpático, exatamente este aqui:



   A descrição, sempre entusiasta, nos diz que "para garantir que o rato coma a isca, Mortein Rodasol é preparada com ingredientes que os roedores gostam, sendo muito atrativas para eles" e que "a maioria das mortes ocorrerá entre 5 a 7 dias após o consumo das iscas" e além disso, intuitivamente "os ratos se afastarão da casa para morrer". Você não abre o pacote, você o deixa em locais estratégicos e como tem ingredientes que nenhum rato dispensaria, ele roerá o pacote, comerá o veneno, sentirá as dores da morte e possivelmente deixará sua casa para morrer em Paris ou ver a família uma vez que seu destino está selado. Apesar de toda a poesia da coisa, e eu tinha lá minhas esperanças no negócio, dia após dia deparávamo-nos com as frustrantes embalagens imaculadas, sem o menor sinal de contato de nosso pequeno amigo, o que, convenientemente denota que o rato aqui tem um paladar diferente do que os tantos para os quais aquele fast-food seria um tremendo banquete.

   Nesse meio tempo, em algumas poucas ocasiões, sentado aqui, me deparei com o rato. Duas foram claras: Ele passou por mim e entrou em um armário que fica na altura do chão ao passo que, eu, corajosamente, corri atrás e coloquei um saco de ração de 20KG contra a porta do armário. É um rato muito pequeno, cinzento, cauda longa e passo apressado. O outro momento deu-se instantes depois, quando o rato veio correndo em minha direção, vindo do mesmo lugar, com saco de ração e tudo, quando eu impulsivamente me mexi na cadeira, dei com os joelhos na mesa do computador e com o estrondo causado, o rato virou as costas e voltou para seu esconderijo.

   Já defendia a idéia de uma ratoeira aqui em casa por razões meramente estéticas, admito. Desde criança, meu único contato com ratos em casa deu-se com os incontáveis hamsters que tive, todos com o aval de animal de estimação. Ratos, enquanto praga, é a primeira vez e impulsionado pelos excitantes desenhos de caça ao rato, sabia que nada dizia tão bem, em imagens, que há um rato pela casa do que uma ratoeira. Só tive absoluta certeza após Flávia me dizer que certa vez, em sua casa, um rato grande e preto aterrorizava sua família. O veneno, similar a grãos de ração canina, colocado por diversos locais da casa era encontrado na sala, toda manhã, religiosamente empilhado e intacto. O rato possuído só foi exterminado após a colocação de ratoeiras pela casa. Um argumento irrefutável. Foi um tanto decepcionante ver que as ratoeiras de hoje em dia não são tão bacanas como as dos desenhos animados. Parecem mais funcionais do que belas. Aliás, são assustadoras até para alguns de nós.



   Em compensação, são baratas. Custaram cerca de R$0.80 cada. Como trata-se de apenas um rato em um ambiente pequeno, duas já pareceram suficientemente agressivas, com suas proporções respeitadas. Mantendo a animada tradição, um pequeno cubo de queijo seria a isca perfeita.

   Dois dias depois, em uma delas, a isca perfeita foi retirada, sem ativar o sistema. A outra, por sua vez, permanece fria e sedenta, o queijo endurecendo desagradalvemente e pude constatar algum tipo de fungo se formando ali, cinco dias depois.

   Não sei exatamente o que é que há com esse rato. Diria que era imaginário, definitivamente, se não o tivesse visto. Não tenho certeza se foi ele quem pegou o queijo da primeira ratoeira e se o fez, como que não ativou a ratoeira? Sinceramente, tenho medo de pensar que estou diante de outro caso de possessão em ratos. Ou quem sabe, de um novo astro da Disney.

20070730

Ingmar Bergman morreu.

"O teatro é o começo, o fim, é tudo, enquanto o cinema
pertence ao âmbito da prostituição"


   Tudo bem, Bergman. Tá perdoado.

   descanse em paz.

20070729

Jean-Paul Belmondo planeja voltar ao cinema para refilmagem de clássico

da Folha Online


(...)     Belmondo planeja seu regresso cinematográfico sob comando de Francis Huster, que estuda a refilmagem de "Umberto D" (1955), obra-prima de diretor italiano Vittorio de Sica.(...)

   Produzida por Jean-Louis Livi, a nova versão francesa de "Umberto D" contará a história de um professor aposentado que vive na miséria, com um cachorro como única companhia e terá outro título.(...)


   Caralho. Não perdoaram nem Umberto D.

20070728

Subject: DEUS

Subject: DEUS
Date: Sat, 28 Jul 2007 18:20:17 -0700
To: meus amigos {noreply-orkut@google.com}


Esta manhã, quando Deus abriu a janela do céu, ele me viu e me perguntou:
"Minha filha, qual seu maior desejo para hoje?"
Eu respondi: "Deus, por favor tome conta da pessoa que está lendo esta mensagem, sua família, e seus amigos especiais,eles merecem e eu os amo muito."

O amor de Deus é como o oceano, você pode ver o começo, mas não o fim;

Esta mensagem funciona no dia que você recebê-la. Vamos ver se é verdade.

Pass--


   Não terminei de ler. Vai que é uma corrente e eu vou pro inferno. Ou eu sofro um acidente porque não enviei a mensagem.

   No fundo, sequer sei se é mesmo uma corrente. Se não ler o final, a mágica ainda acontece sem os danos do não cumprimento da tarefa?

   E outra, "Janela do céu"?

   Realmente nunca saberei.

20070724

Nem de graça.

   Meu pai aniversariará na próxima sexta-feira e, para celebrar, levará a família para assistir ao novo Harry Potter no cinema. Meu pai e minha irmã são, definitivamente, fãs do rapaz e eu, bem, não. Tanto que vi o primeiro e o segundo filmes inteiros, pedaços do terceiro na HBO e do quarto eu não faço idéia do que acontece. Os livros eu adiei por esses anos com a desculpa de que eu sou ansioso demais e que só leria um Harry Potter quando a saga toda estivesse completa o que é ou não uma mentira deslavada que só o tempo provará. Fato é, eu não iria ao cinema assistir ao quinto Harry Potter sem ter assistido os dois anteriores, por razões óbvias. Além do que, novos personagens podem ter surgido e sendo assim, eu tornaria-me o chato do cinema que vez ou outra levanta a questão "Quem é esse? Ele é amigo ou inimigo? Quais os poderes dele?" ou coisa assim. Para tanto, esta tarde, fui à locadora para locar os dois filmes.

   Chovia. Chovia muito. Cheguei à locadora, que estava com metade coberta com um plástico preto, pois está em reforma e com os pés molhados dirige-me ao balcão onde uma moça de cabelos loiros (falsos), que já provara suas habilidades e discernimentos de atendente de videolocadora outras vezes, estava, junto a um computador.

- Oi, eu preciso de três filmes.
- Sim, pois não?
- Eu preciso do terceiro e do quarto filmes do Harry Potter...
- ...
- ... É que é aniversário do meu pai na sexta-feira e ele vai levar todo mundo pra ver o novo filme então, eu achei que precisava recuperar o tempo perdido.
- Ah sim. E qual o outro?
- "Últimos Dias".
- Mas que filme é esse "Últimos Dias" que tá todo mundo pedindo??
- Sabe o filme "Elefante"?
- ...
- Aquele que na capa tem uma moça dando um beijo num rapaz de cabelos bem louros e camiseta amarela, sabe?
- Ah tá. Sei.
- Então! É do mesmo diretor!
- Ah tá. É um documentário, então.
- Não... Nesse "Últimos Dias", o diretor, o Gus Van Sant, conta a história de um rockstar famoso que parece que é baseado na história do Kurt Cobain, do Nirvana e bem, aparentemente ele isolou-se nesse lugar e está vivendo seus... últimos dias.
- ... Ah tá. Um documentário, saquei. Então, você quer o Harry Potter: O Prisioneiro de Azkaban e o Cálice Sagrado, isso?
- Hm. Acho que sim.
- Tá.

E ela saiu de trás do balcão e foi andando pelas prateleiras. Deus sabe o porquê eu fui atrás. Acho que como eu não tinha engolido a história de documentário eu queria respostas. Ela virou ao lado do saco preto de reformas e enquanto ela dirigia-se para a prateleira onde estavam os filmes, eu parei, maravilhado. Um tesouro, daqueles. Dezenas, talvez centenas de filmes em VHS, mal empilhados, em um canto. De súbito, falei:

- Ei! O que são esses filmes? Porque eles estão aqui?
- São pra doação - falou um rapaz que estava junto aos filmes.

Eram pra doação. Pra um orfanato não sei o quê ou asilo blábláblá, não sei, juro que não conseguia ouvir.

- Se você quiser dar uma olhada antes que a gente leve, pode ver quais você quer e pegar. São pra doação mesmo!

Coloquei-me ajoelhado junto a uma pilha de filmes e comecei a ver, um a um.

- Mesmo?
- Claro!

A próxima coisa que percebi foi uma pilha de filmes que batia no meu peito e ainda faltava um pouco menos da metade dos filmes para inspecionar. No final das contas, peguei 45 filmes. Eles deixaram um para trás que estava separado, então, 46. Quarenta e seis filmes semi-novos em folha. Quarenta e seis!





Muitos filmes ruins, ruins. Muitos filmes ruins, bons. Alguns bons, mesmo. Peguei de tudo.



Notei outro vício de linguagem que muitos de nós temos e eu não era exceção. Sabe aqueles filmes que vocês diz que "Não quer ver nem de graça" ou em casos menos sérios, "Não pagaria pra ver mas assistiria de graça"? Pois bem, a primeira regra não vi exceções. Mas na segunda, diversos filmes eu pegava, olhava e então, como estava de graça, classificava como "Nem de graça". Juro que foi bastante esclarecedor.



Dentre tantos filmes bacanas, destacarei alguns dignos de menção.


Vimos Os Suspeitos à venda, até em bancas promocionais de DVDs de 9,90, o que já era excelente. Aqui, em VHS, a caixa está um pouco danificada mas a fita, intacta!



O pomo da discórdia, dublado.



Uma incrível surpresa.



E outra, tão incrível quanto.



Um filme que é sempre bom ter em mãos, não é mesmo?



Ah, e é claro! Navalha na Carne e sua excelente (quase sensual) capa.


A parte triste é que alguns filmes estavam sem caixa e outros estavam sob uma goteira. Muitos mereciam estar assim mas outros, não. Assim sendo, salvei quatro:


("Assassinato no Expresso Oriente"; "Os Deuses Devem Estar Loucos II"; "Batman - O Retorno" e; "Era Uma Vez no México".)

E bem, hoje entendi como uma criança se sentiria numa fábrica de doces (o mesmo exemplo pode ser aplicado a Gordos e Presuntos) o que, devo dizer, foi incrível. Eu estava não apenas com os pés molhados mas metade das pernas também por causa do guarda-chuva e só fui notar isso novamente quando cheguei em casa. Outra analogia que me vem à cabeça e que cabe é aquele programa Supermarket, no qual as pessoas tinham que encher seus carrinhos com MILHO PARA PIPOCA YOKI ou CANELA EM PÓ PARA DOCES MESTRE CUCA ou seja lá o que o apresentador dizia-os para procurar. Mas um pouco mais livre e tudo.

Enfim, só mais uma fotografia. In memoriam ao pessoal do orfanato de velhinhos.

20070723

Uma constatação.

   Esse blogue ficou incrivelmente mais ilustrado de uns tempos pra cá e acabei de me perguntar o porquê.

   Claro, avaliando como a internet tem evoluído, como é fácil publicar e postar um vídeo na internet, por exemplo. Como o advento da banda larga auxiliou a publicação de imagens em resoluções decentes e levando em conta toda a questão multimídia como um todo, claro, não poderia ser pra menos. A expressão humana pode, cada vez mais, tornar-se mais humana em meio ao pandemônio digital da rede mundial de computadores.

   É.

   Ainda não justifica.