20080111

Corujão

Hoje - ou melhor, na madrugada de hoje para amanhã - às 3:35 a Rede Globo exibirá o filme "A Malvada" (All About Eve, 1950) com a Bette Davis!

O filme ganhou o Oscar de melhor filme em cima de "Crepúsculo dos Deuses", que também é uma figura carimbada das madrugadas televisivas. Sou meio suspeito para falar do "Crepúsculo dos Deuses" porém, li em algum lugar que "apesar de ''A Malvada' ter ganhado o prêmio máximo, o de melhor filme em sua época, o tempo provou que 'Crepúsculo dos Deuses' é um filme muito mais mordaz em sua crítica a Hollywood e seu mundo de ilusões"

Acho que muitos lugares já afirmaram isso simplesmente porque isso é um fato. Mas que "A Malvada" é um grande filme de Bette Davis e que vale muito a pena acordar mais cedo (ou dormir mais tarde) para acompanhá-lo na televisão também não há discussão.

20080110

Funny Games

   Este ano, um dos filmes que eu estou mais ansioso para assistir é uma refilmagem.



O Funny Games original, de 1997, saiu por aqui com a incisiva tradução de "Violência Gratuita" que só conheço de cópias em vídeo ainda que exista uma versão raríssima em DVD, é um filme de produção austríaca dirigido pelo Michael Haneke e é excelente. Sério, é um filme extremamente consciente, voraz, inquietante e inesquecível. A Violência Gratuita do título em português é apenas uma impressão (do meu ponto de vista, errônea) sobre as ações do filme. Um filme bagaceira e horrível como "Albergue" merecia ser chamado de Violência Gratuita porque o filme exibe um sadismo babaca e gratuito na intenção de chocar o espectador. A história é muito mais rala do que de muita pornografia e é um filme que de fato banaliza a violência de uma maneira que o cinema não precisava ver ou ainda, poderia ser mostrado mas não sugere nenhuma discussão real além da exibição seqüencial de imagens explícitas - é chamado de "Torture Porn". Não apenas filmes mas toda a mídia em si, a banalização da violência é algo real, constante e inconsciente. As pessoas têm ânsia por cada vez mais, mais e mais e tanto se perde no caminho.
Então, foi feito este filme em 1997.
E então, um remake será lançado agora, em 2008:



O remake será um desses remakes do tipo cena-a-cena, como no remake de Psicose feito por Gus Van Sant baseado na obra de Hitchcock. As diferenças são:
a) Será feito em terreno norte-americano;
b) Terá uma distribuição e publicidade maior do que o filme anterior possibilitando um maior acesso ao filme;
c) É dirigido pelo Michael Haneke, novamente!


Funny Games é um filme que subverte a narrativa tradicional de um filme. No site oficial do remake o diretor do filme pergunta
Como podemos fazer que a audiência perceba seu papel na perda da realidade? Como o espectador pode ser transformado de vítima da mídia em potencial participante?

para em seguida nos responder
A questão não é o que temos o direito de mostrar mas como promover o entendimento, não como retratar a violência mas como deixar os espectadores ver sua relação com ela e a maneira que ela é representada.

E é uma ótima oportunidade para ver esse filme no cinema já que eu não sei como foi o lançamento do filme original por aqui, se foi direto para vídeo ou o quê. Além disso, podemos considerar como fator positivo que a versão de 1997 deverá ser relançada em DVD como é praxe no lançamento de remakes. Saiu em DVD pelo selo "Cult Filmes" em 2000 e atualmente vale ouro em sites de leilão por aqui.

Aliás, coloquei uma pequena cena do filme e não coloquei o trailer.
Sendo assim,



Agora é só aguardar o lançamento que está previsto para o dia 28 de março. Com muita ansiedade, eu diria. No meio tempo, vale a pena procurar por uma cópia do filme, ainda que em VHS, para poder assistir e ver por si mesmo e estabelecer seu próprio julgamento quanto ao filme.

O meu eu já estabeleci.

20080109

Misc.

   Quando redigi o Prólogo para o Ano de TCC, esqueci de um tópico que deixa tudo um pouco mais difícil :

Quero ter um layout decente para isso aqui. Não precisa de muita coisa não ou algo estupendo, só um layout mais bacana mesmo que orne melhor com o blogue em si porque este, apesar de funcional e genérico, tem coisas que eu não gosto. Gosto da palheta de cores, sempre digo com um largo sorriso que o marrom é o novo preto. Contudo, as cores poderiam ser outras, uma palheta mais diversificada ou ainda mais minimalista, não há problema. O marrom me cansou. O espaço com o título do blogue, lá no alto diz, em texto corrido, fonte ampliada "O Pinball Mutante" ao lado de uma simpática seqüência de setas que parecem saídas de uma partida de Space Invaders.

(Por curiosidade, hoje li jornal como ser "nerd" é cool. Como os jogos de videogame são parte da cultura pop e etc. Acho ótimo, sou nerd e aficionado em videogames desde que eu consigo me lembrar e torço pela Nintendo como quem torce para seu time de futebol do coração. Lembro-me que o motivo pelos quais escolhi este layout foi a) a predominância do marrom e b) as setas 8-bit. Agora isso é cool. Sendo assim, meu layout é quase descolado, certo? Não necessariamente)

continuando.
O nome do blogue mudou quando no dia oito de julho passado ressucitei-o de vez. Era "O Pinball Mutante & A Extravagante Microfonia Atômica". Longo, longo, longo. E nesse dia eu já reclamava que

Acho esse layout padrão do Blogger esquisito, tentei editar o código fonte mas achei tudo assustador e complicado.

Do layout anterior sinto falta de um logo, mesmo. As setas são simpáticas mas o tempo delas já se foi. Sinto falta das tags anteriores do blogger. Aparentemente não é assim tão mais complicado mas nunca perdi muito tempo lendo sobre essas tags mais atuais. Aceito de bom grado uma doação de layout.


Em tempo:
Hoje cortei o cabelo;

Sou o pior enxadrista de todos os tempos - mais sobre isso qualquer dia desses;

Inferno Astral ou não, meu aniversário está logo aí. Tenho algumas sugestões de presente que pode ajudá-lo (a) na difícil (ainda que gratificante) tarefa de me agradar.

Localização:

Em meios às chamas do tal Inferno Astral.


Como diria Johnny Cash, em outras circunstâncias,
"And it burns, burns, burns"

20080108

20080107

Prólogo: Trabalho de Conclusão de Curso

Dois mil e oito começou e estava tudo bem, tudo ótimo.

Então, na manhã de sábado me bateu:

Caralho, é o ano do meu TCC. Caralho, caralho, caralho, ca-ra-lho.

Não vou ter tempo para nada, para ler, para ver filmes, para fazer absolutamente nada. É o TCC, droga. Lerei alguns livros e verei alguns filmes eventualmente mas com certeza estarei tão enterrado até o pescoço para dar conta do TCC que eu vou ler menos e ver menos filmes do que gostaria.

E referências? Por deus, as referências! Preciso ver mais filmes e ler mais livros ainda para conseguir solidificar um pouco as referências que pretendo utilizar no meu TCC! Sei de alguns títulos mas preciso de tantos outros! E não posso pegar livros em bibliotecas porque devo nas que eu conheço, incluindo da faculdade. Na faculdade é dinheiro. Na rede municipal, eu não poderei alugar livros pelo mesmo tempo que eu levei para entregar, em atraso. No momento, esse débito é de aproximadamente dois anos, sete meses e seis dias (e contando!).

Preciso terminar de escrever os personagens para poder escrever o roteiro! E preciso postar aqui no blogue alguns contos que escrevi. Já estamos em dois mil e oito! DOISMILEOITO. Janeiro e contando. E correndo. E contando.

E isso é um exemplo de como uma pessoa pode ter um treco antes de completar trinta anos.

A idéia é me organizar AGORA para estar menos estressado DEPOIS. O durante TCC vai ser assustador, aqueles mergulhos neuróticos, noites mal dormidas, cabeça rodando e fervendo o tempo todo.

É sério, preciso aprender a controlar isso. A me organizar melhor. Não digo separar as coisas porque isso é impossível. Tenho um ciclo constante durante os períodos de trabalho que inclui minhas raras horas de sono, usando sem nenhum pudor, meus sonhos como meio para continuar o desenvolvimento. Muitas vezes é concreto e chato. Um sonho que imita a realidade, pouco sonho. Muitas vezes é a idéia em si, é o acontecimento. Gosto de ambos. Os primeiros são objetivos, como check lists mentais, uma maneira de simplesmente expandir as idéias que já surgiram e dali, acordar, reescrever o que eu conseguir lembrar e dar continuidade. Os outros são mais sutis e provocantes. São mais típicos no campo de sonhos, uma versão atípica da vida. Acordo com as imagens me rodeando e elas são sempre tão úteis que de forma alguma eu gostaria de separá-los de quaisquer outras coisas.

O TCC é esse momento que eu aguardo com muita ansiedade desde o começo do curso. Porém, por experiências com TCCs alheios, tudo parece incrivelmente plausível e assustadoramente excitante, uma roleta violenta de emoções, em ação

nesse momento.

20080106

O melhor álbum de 2007/2008

O The Hives já é a minha nova banda favorita há alguns anos. Honestamente, eles são insuperáveis. Eles acertam, cada acorde, cada refrão, os riffs no lugar. As explosões durante as canções são simplesmente arrebatadoras. Adoro muitas bandas, artistas e cantores. Mas o Hives está sempre, sempre na frente. É aquela velha história da identificação imediata com as canções e seus temas, com a maneira que eles encaram a música e o mundo e a maneira como eu encaro a música, o mundo e as pessoas desse mundo.

Gritei e chorei assistindo ao Iggy Pop junto com os Stooges e tive reação extremamente semelhante quando vi o Devo. No duro, não sei qual seria a minha reação ao ver o Hives ao vivo. É uma dessas bandas que você fica sempre meio bobo e cheio de eufemismos para tentar expressar o quanto você os admira e não fica meio embaraçado depois simplesmente porque você morre de orgulho dessa banda! E qual a sua participação nisso? Mínima. E os caras são seus heróis.

Tenho os álbuns do Hives lançados por aqui, originais e tudo. O início com um punk de garagem muito competente em Barely Legal aos flertes entusiasmados com uma onda mais nova, a la Devo, em Tyrannosaurus Hives, cada disco do The Hives é um disco singular, próprio, sempre digno de ser chamado de "novo disco". São apenas quatro discos com quatro maneiras de fazer músicas. Todos com a mesma essência que marca a banda.

Veni Vidi Vicious é um marco. Foi o álbum em que eu conheci o The Hives e provavelmente metade do planeta também. É o álbum em que o estilo da banda ganha contornos mais marcantes e visíveis. Não me leve a mal, Barely Legal é energético e intenso mas pende para um álbum feito por jovens em busca de música boa e rápida muitas vezes. Ainda assim, uma banda de jovens boa pra caralho e que já começava a demonstrar uma maneira própria de fazer seu som e no álbum Veni Vidi Vicious, o The Hives definiu bem esse som. Aliás, definiu esse som como "Punkrock Avec KaBoom" e termo esse que faz sentido tremendo quando os primeiros acordes de "The Hives - Declare Guerre Nucleaire" o acolhe calorosamente para, em seguida, o levar aos pontapés por apenas um minuto e meio. Em seguida, o álbum transcorre com peso, energia, beleza e sujeira culminando com o hino sarcástico de "Supply And Demand". Você não nota e o você já está ouvindo o álbum de novo e de novo e de novo. E se apaixona pelo hino com clima de Elvis Presley no Paraíso Havaiano de "Find Another Girl", um cover extremamente competente da canção de Jerry Butler e adora cada uma das canções e não consegue escolher apenas uma porque todas têm aquela sensação de filhos queridos. E são os queridos filhos do vizinho. E vocês os adora como se fossem filhos seus.

Então, 2004. The Hives lança um novo álbum: Tyrannosaurus Hives. Saiu no Brasil em 2005 e tocou, por aqui, desde então. O álbum explode logo de cara com "Abra Cadaver", um minuto e meio ainda mais intenso que o do álbum anterior. Daquelas canções que você mal começa a ouvir e sente calafrios ao se imaginar ouvindo-a ao vivo com a banda logo ali, na sua frente. Citei Devo como influência e uma música como "Walk Idiot Walk" deixa isso bem claro. É quase mecânica e hipnótica, guitarras muito bem colocadas e uma linha de baixo tão típica do Hives que o faz querer apertar as mãos do Dr. Matt Destruction e cumprimentá-lo por essa e por tantas outras canções. Tyrannosaurus Hives é um álbum tão repleto de boas canções que você se pergunta por que afinal outras bandas que clamam escrever quinhentas canções novas para o novo álbum pegam duas realmente boas e quatro regulares regulares e seis ruins para compor este álbum? E não se surpreende por ser um outro álbum do The Hives. Um colega me disse uma vez que a música "A Little More For Little You" é uma Hives clássica. Concordei. Mas este álbum de 2004 contém tantas clássicas Hives como o anterior, Veni Vidi Vicious sem, em nenhum momento fazer a banda parecer uma "continuação" mas, como eu falei: Um álbum novo da mesma banda.

O The Hives foi formado em 1993, na Suécia mas o mundo só os ouviu mesmo com o relançamento do Veni Vidi Vicious em 2002. O álbum foi lançado em 2000 mas o relançamento foi um determinante porque voltemos ao início do século XXI: The Strokes e toda a nova onda do "novo rock" surgia de arrastão. Em uma entrevista, o vocalista do The Hives, Howlin' Pelle Almqvist comenta sobre esse momento de Strokes e White Stripes que "o que era chamado de rock tinha sido muito chato por muito tempo e algumas bandas apareceram de forma que pelo menos parecia excitante, tipo o deixava animado quando vocês as ouvia. Eu acho que havia coisas que tínhamos em comum e coisas que nós não tínhamos em comum mas nós tínhamos muito mais em comum do que qualquer outra coisa que estava por aí. Eu gosto dessas duas bandas e isso é mais do que eu posso dizer da maioria das bandas, então eu acho que foi bom". Aí, no álbum seguinte dessas bandas (com exceção louvável do White Stripes que é uma banda criativa pra burro) e outras que vieram posteriormente sob a mesma linha, o disco seguinte simplesmente soava muito próximo do anterior. Agora, nesse momento, além do Strokes, me vem logo de cara Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Libertines, Rapture, Futureheads e até o Scissor Sisters. Não me leve a mal, são álbuns extremamente divertidos e gosto de todas as bandas que citei mas inegavelmente são continuações do álbum anterior, variações aqui ou ali mas pouca inovação. Provavelmente parte das quinhentas canções que não entrou no álbum com um tapinha para soar como um material sutilmente diferente. "Não, não é igual, vê? Antes fazíamos pá pá pá tum tum e agora fazemos pá pá tum tum pá o que pode soar parecido quando a música toca e a linha repete-se mas você tem diferenças, sim".

Aí, por isso Tyrannosaurus Hives entra com um peso tão grande. Barely Legal é um álbum diferente do Veni Vidi Vicious e se o The Hives seguisse a ordem natural de "não se mexe em time que está ganhando", o Tyrannosaurus Hives não chegaria a lagartixa. Um outro fator que pesava contra era que seria o primeiro álbum do The Hives distribuído por uma grande gravadora, a Universal Music. Todos tememos uma abordagem mais linear da banda porque muito mais dinheiro estaria envolvido na produção do disco. E o álbum, quando foi finalmente lançado, mostrou que a banda foi mais longe. Lembro da minha primeira audição do Tyrannosaurus Hives, cheia de euforia e surpresa e quando o coloco para tocar, tenho as mesmas sensações.


ufa.

E tudo isso por que? Porque há dois dias adquiri o novo álbum do The Hives, o The Black and White Album. Não sabia que já tinha sido lançado por aqui em meados de novembro. Foda-se, eu já tinha baixado e tudo porque não agüentava a ansiedade. Contudo, ao colocar o disco ali, físico, para tocar e poder dançar e cantar junto, com o encarte em mãos, putaquepariu. O mesmo álbum que não sai do meu MP3 player há dois meses soou tão fresco e excitante como o dia que eu encontrei apenas uma alma caridosa no Soulseek com o álbum completo de quem fiz o download e ouvi, faixa a faixa, num Repeat All de audições infinitas. Um novo álbum, definitivamente. Um álbum monstruoso, aliás, de proporções imensas, melodias inesquecíveis e, aproveitando o trocadilho, inúmeros tons de cinza. É o álbum mais longo do The Hives. Aproximadamente 45 minutos, contra a média de 27 a 29 minutos dos anteriores. E ainda assim é um álbum tão rápido e intenso como um álbum do The Hives tem que ser. É o melhor álbum de 2007 e já o proclamo o melhor de 2008, também, por que não?

Faça um favor a si mesmo e ouça este álbum o quanto antes. Você me agradecerá depois!
e eu direi apenas

"Agradeça ao The Hives".

20080105

Sangues

Doei sangue, lá no Hospital do Câncer.

Em filmes sempre mostram as pessoas doando sangue e até sêmen por dinheiro. Aqui, ganhei suco e uns biscoitinhos. Não sei quanto eles pagam lá fora mas pareceu um negócio justo pra mim, aqui porque eu bem gastaria o dinheiro do sangue com comida e sequer suco seria.

Mas poderia pagar contas, ou pegar um ônibus, realmente não sei. Quando alguém trabalha muito, alguém diz "Dei o sangue nesse trabalho".

Quanto de sangue
exatamente?

Porque analisando friamente, se deu o sangue e continua vivo, deu bem um suquinho e biscoitos.

20080103

Inferno astral

Hoje começa oficialmente o meu chamado "Inferno Astral". Falta um mês para o meu aniversário.

Não sei bem o que isso significa mas há sempre uma pessoa que justifica erros imprevistos e problemas inúmeros porque ela está passando pelo seu "inferno astral". Então sei que estou sujeito a todo tipo de coisa.

Contagem regressiva!

20080101

REVEILÃO

Já passou.

E este é o primeiro post no primeiro dia do ano. Onde passei o meu? Na praia. Sim, a mesma "praia" que quem me conhece pessoalmente já me ouviu reclamar de, sobre e pela. Não gosto do sol tanto assim mas contornei isso com aplicações de protetor solar e o uso permanente dos óculos escuros, driblando o excesso de claridade que me incomoda muito. Já fico meio cego. Não quero, absolutamente, ficar meio cego e com dor de cabeça por causa do sol e pronto.

Altos e baixos. Tenho bolhas nos pés causados pelo chinelo. Devo ser a única pessoa a ter bolhas que ficam perfeitamente escondidas atrás das tiras de um par de Havaianas. E não falo daqueles chinelos meio sandálias ou "papetes" mas só as Havaianas comuns que estão pelo mundo todo, hoje em dia. As que me causaram as bolhas são azuis. Elas ficam invisíveis quando estou calçado porém, bolhas não precisam ser vistas para serem sentidas.

O que não fica escondido são as marcas de picadas de pernilongos. Eu estava quase certo de que os pernilongos estavam extintos ou em franca decadência. Ultimamente, quando e se um pernilongo aparece no meu quarto no meio da noite, e só nas noites de calor monstruoso, é um. Eu me escondo sob os lençóis e só o escuto zunir ao meu redor para então desistir dessa vida e provavelmente escolher formas mais saudáveis de alimentação. Mas lá, na praia, não. Fora de brincadeira, estou com marcas iguais às de catapora pelos pés e pernas e, em menor escala, nos braços. Acho que perdi um terço do meu sangue para aqueles insetos caiçaras.

Apesar de boas exposições ao sol, não estou bronzeado. Não que eu tenha notado, claro. E não exagerei, utilizei um protetor solar com FPS 30 porém, isso é boa. Qualquer outra tentativa de bronzeamento sem protetor solar só me ocasionaram queimaduras horríveis, vermelhas, disformes e irregulares pelo corpo. Sabe aquele estereótipo de turista? Bingo.

Aí, sem isso tudo eu jamais teria tido momentos como a bela manhã do último dia de 2007, sentado à sombra, na praia, olhando o mar e tomando seguidos sucos de laranja gelados com minha grande amiga Guadalupe, entre gargalhadas e a surpreendente constatação de como a praia pode ser um lugar muito agradável.

E sim, pulei as sete ondas num pé só (o pé direito), quase tombando por conta da maré, numa mistura muito divertida de euforia e preocupação. Eu tinha deixado meus documentos numa bolsa na praia para não estragar com a água e se eu me afogasse seria enterrado como indigente. Enterrado como indigente na praia, no litoral, longe da minha adorada civilização, do doce cheiro de poluição e das pessoas desbotadas por viverem tempo demais fechadas em casa. Aí não dava.

20071227

Noite Feliz 2

Pelo menos o meu amigo flexível está de volta.

O ié!

Noite Feliz

Tradicionalmente, a cada ano eu faço um cartão natalino temático. Às vezes é como uma pequena série, de dois ou mais cartões. Esse ano fiz apenas um cartão mas que particularmente, gostei muito:


O que parece ser uma composição meio absurda de árvore de natal, bolas de natal, presente, laço e uma Fada do Panetone é, na verdade um pretexto para você juntar as indicações A e B - na versão impressa é mais fácil do que dobrar o monitor. Porém, dobrando, você tem essa imagem:


Um Papai Noel de monóculo. É uma homenagem às dobradinhas MAD, só para dar uma função a mais para um cartão de Natal, como uma brincadeira mesmo.

Não consegui terminar a tempo de entregar a versão impressa para todo mundo para quem eu queria enviar o cartão e meio que aprendi a lição: Ano que vem, começo o cartão no final de novembro, ainda que em novembro do ano que vem eu vou estar surtando com a entrega ou a apresentação do meu TCC. Na véspera de Natal escrevi os cartões que eu entregaria à minha família, que já estavam devidamente impressos porém, escrevi com uma daquelas canetas comuns de desenho e como eu imprimi em um papel fotográfico mesmo para conseguir entregar o cartão (Ainda bem que existe a Fotóptica!) a tinta não secava, ficava meio assim então, à meia-noite houve a tradicional ceia e troca de presentes porém, os cartões estavam no meu quarto, secando.

Comi e passei uma agradável madrugada de Natal em New Jersey. No dia 25, à noite, enviaria os cartões às demais pessoas. Porém, enviei o cartão para cada uma das pessoas por e-mail, assim, como aqui, nas duas versões e a explicação. Acho meio escroto aqueles scraps automáticos porque tem quase tanto valor quanto os e-mails que as lojas virtuais te mandam no Natal. Ou seja, muito impessoal, é como se a pessoa dissesse "Olha só, é Natal e tudo mas me faça um favor, tenho muito mais o que fazer e estou cagando pra essa putaria toda mas quero manter um certo círculo de amizades". E além dos meus amigos mais antigos e das pessoas que conheci esse ano, tinha um grupo grande de pessoas que trabalharam comigo no Sesc na exposição Loucos por Cinema que são todos muito queridos também! Aí eu fui enviando os e-mails pelo meu catálogo de contatos do Thunderbird, além de alguns de Orkut e, depois de muito cartões enviados já era 23h e a minha irmã veio aqui.

Carol: Mé, posso ver o meu e-mail?
Eu: Pode sim, tô enviando esse cartão aqui, acho que já é o último!
Carol: Você ainda tá enviando os cartões? Mandou um pra mim?
Eu: Não, né! O seu eu entreguei em mãos!
Carol: Hm... Não... Não entregou não!
Eu: Sério?
Carol: Sério.
Eu: Puta merda! Esqueci os cartões secando lá em cima!

Subi ao meu quarto. Lá estavam os cartões, em um canto. A tinta secou mas borrou tudo. Estava ilegível e castanho. Traduzi os cartões, reescrevendo-os em novos cartões. Entreguei à minha família em meio a explicações e pronto. Eu tinha que quase estragar tudo no Natal, como eu sempre faço.

Estava tudo resolvido. Até, obviamente, nesse momento, dia vinte e sete de dezembro eu me dar conta de que eu não enviei o e-mail de Natal para o pessoal do Loucos por Cinema porque eles estavam numa parte não comum do catálogo de endereços mas numa parte específica, num grupo chamado "Loucos Por Cinema".

Sutil.

20071216

Meu amigo flexível

   O drama do meu cartão começou há algum tempo. Talvez meses. Possuo um daqueles cartões do Banco Real Universitário Internacional. Tem o cartão comum e o minicard, que nada mais é que um cartão "43% menor" bem inútil, que não o permite fazer saques em caixas rápidos ou de auto-atendimento mas quebra um galho em vendas a débito ou crédito, pessoalmente ou não.


   Certo dia, noto que perdi o cartão grande. Provavelmente, estaria em meio às minhas coisas, em meu quarto. Não sou uma pessoa que seria chamada de "organizada" - obviamente organização é uma questão de ponto de vista porque para mim, como para qualquer desorganizado do mundo (Uni-vos!) há uma organização que obedece regras internas e pessoais. Eu só começo a me preocupar quando as coisas desaparecem e eu não faço a menor idéia de onde elas estejam. Ou quando as pilhas de organização começam a atrapalhar a passagem. Então, eu estava no meio de um projeto da faculdade e fazendo um estágio durante esse semestre o que me impossibilitava de
a) arrumar o quarto porque eu estava ocupado e cansado demais nos poucos momentos livres que surgiam; e
b) sem o meu cartão de crédito/débito.

Ainda bem que ainda possuía o tal minicard. Não me permitia sacar dinheiro nos caixas por aí, só na boca do caixa, após aquelas filas desumanas de gente com problemas realmente impossíveis de serem resolvidos no caixa rápido. Como o meu estágio ocupava basicamente o horário útil de um banco, era raro eu ter dinheiro em mãos. Só comia ou bebia ou comprava ou freqüentava lugares que aceitassem Visa. Não, meu senhor, não é crédito não, é débito mesmo, é que eu perdi o cartão comum e não consigo sacar dinheiro mas eu tenho algum dinheiro em conta. Repeti essa desculpa inúmeras vezes, quase um mantra, uma explicação meio boba mas para mim, importante, porque às vezes o valor da compra era relativamente baixo e voilà, não tinha papel ou moeda que cobrisse isso. Mas esse dinheiro numeral e eletrônico tava lá.

   O minicard também me permitia utilizar a função crédito, online ou em lojas quaisquer, o que era bom para presentes e compras pessoais. Pretendia comprar assim alguns presentes de Natal, hoje ou amanhã, para chegar no decorrer dessa semana, preferencialmente antes do Natal. Não seria nada dispendioso. O estágio acabou, estou meio quebrado por hora mas Natal é Natal! Além disso, tem uma meia dúzia de filmes que eu quero ver e com a promoção dos 3r$ para estudantes em alguns cinemas de São Paulo seria uma pechincha! Ainda bem que cinema aceita débito.

   Não tinha efetivamente cancelado meu cartão porque imaginava que estava perdido no meu quarto. Estava no meio dos processos da faculdade, com gastos eventuais e importantíssimos para o desenvolvimentos dos trabalhos e compra de materiais realmente necessários. Seria fácil, arrumaria meu quarto, acharia o cartão e ficaria tudo bem, sem transtornos.

   Ontem, de repente, comecei a arrumar meu quarto à maneira clássica. Minha arrumação costuma ser lenta, eu não seria um bom diarista se diaristas-homens fossem comuns. Sou de baixíssima produtividade porque quando eu arrumo as minhas coisas, funciona como uma viagem no tempo, um regresso a dias passados, um grande e bonito flashback. Leio papéis e anotações, faço organizações temáticas, cromáticas, de texturas e momentos. É um processo cansativo mas gratificante. Depois, começo a colocar cada grupo ou momento em seus lugares, a arrumação devida. Quando já tinha passado por todos os cantos do meu quarto e olhado em todos os blocos de papel, livros, revistas, anotações, desenhos, rascunhos, panfletos, post-its, caixas e pacotes, pensei
"pomba, perdi o cartão mesmo".

   Impulsivamente agarrei o minicard e liguei correndo para o Real Cartões para cancelar o cartão atual e pedir o outro. Fui atendido pela Daiana, moça simpática que confirmou meus dados para minha segurança e me pergunta
"quando o cartão foi perdido? Hoje mesmo?"
"Ahm... Dei pela perda ainda agora mas ele já tá desaparecido há algumas semanas, acho que um mês", o que é mentira. Faz bem mais que isso mas me senti constrangido em falar que estava sem o cartão há tanto tempo porque não tinha olhado no meu quarto ainda.
"Certo, senhor. Então, com o cancelamento do cartão atual, naturalmente o senhor quer uma nova via do cartão, não?"
"Isso! Preciso de um cartão novo, por favor"
"Sim, só um instante"
...
"Senhor, o seu cartão já está cancelado e em até sete dias úteis você receberá em seu endereço uma nova via do seu cartão!"
"E do minicard também?"
"Sim, senhor. Do minicard também. Note que a partir de agora o minicard que o senhor já possui não irá mais funcionar"
"Ah, tudo bem! Obrigado! Feliz Natal!"
"Obrigada, feliz Natal também! Boas festas!"

   Desliguei o telefone com um sorriso natalino no rosto, aquele sorriso meio bobo de boas festas que você ostenta após esse tipo de cordialidade. Pensei "Puxa, que moça simpática!" e tornei para arrumar o quarto. Minutos depois, o estalo:

   O cartão tá cancelado, o maldito cartão tá cancelado, o que inclui o minicard. Caralho, caralho! Como eu sou idiota! Como é que eu vou comprar os presentes de Natal? Como? Hm... posso sacar dinheiro ou, se comprar online, boleto bancário. Demora um monte e é uma provação de paciência mas vale a pena... ufa. E como em lojas virtuais os descontos compensam um monte, saindo mais barato que em lojas físicas e com frete grátis em todo lugar, compensa muito mais. Preguiça de encarar lojas cheias na semana antes do Natal. E o cinema? Meu deus! O cinema! O que eu faço com o cinema? Vou ter que sacar o dinheiro, de qualquer maneira, não tem jeito.

   Aí, notei como eu sou cretino e ansioso. Poderia ter esperado mais três dias para cancelar o cartão, comprar o que eu tinha para comprar e ver meus filmes mas não. Liguei, cancelei e me fodi.

   Agora, cartão de crédito só em sete dias úteis.