Sábado é o show do The Hives.
Por deus, quantos posts eu vou precisar colocar aqui sobre o the Hives? É importante notar que este não é um blogue sobre o The Hives.
Declaro esta, oficialmente, a Semana The Hives.
Ave, Hives.
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20080901
20080713
Dia do Rock/2008
Claro. Citei há um ano atrás sobre o dia do Rock ser especial como o Natal. Com a música mais alta e o clima menos familiar.
É óbvio que esse ano as coisas foram diferentes, foram parecidas com o que eu disse que o dia do Rock não era. A música foi alta e o clima incrivelmente familiar. Não foi ruim, mas não foi um dia do Rock. Rolou um Twist and Shout e um Jailhouse Rock e eu dancei um tanto. Porém, percebi que estava tudo errado quando estava tocando Whiskey a Go-go e eu estava no meio de uma roda de mulheres de 60 anos cantando em coro "hey hey, ho ho" pra desembarcar num "eu perguntava do you wanna dance?" ao invés de um saudável "let's go!".
Pretendia celebrar o meu dia do rock da maneira que eu acho ideal à noite. Não deu tempo. Já é praticamente um dia 14 de julho qualquer. Ano passado rolou comida mexicana. Esse ano, eu diria que o ponto alto foi um frapê de capuccino, do Habib's. Não me leve a mal, adoro o frapê de capuccino. Mas não era o que eu esperava para o meu dia do Rock, absolutamente. Não digo que eu queria uma bebedeira infernal com inconseqüências, promiscuidades e o som alto e prejudicial à saúde. Isso não seria ruim, tampouco. Mas, sério, nem de longe eu diria que as melhores coisas do meu dia do Rock foram um frapê de capuccino e a audição de um disco do The Hives.
Essa semana eu desconto.
É óbvio que esse ano as coisas foram diferentes, foram parecidas com o que eu disse que o dia do Rock não era. A música foi alta e o clima incrivelmente familiar. Não foi ruim, mas não foi um dia do Rock. Rolou um Twist and Shout e um Jailhouse Rock e eu dancei um tanto. Porém, percebi que estava tudo errado quando estava tocando Whiskey a Go-go e eu estava no meio de uma roda de mulheres de 60 anos cantando em coro "hey hey, ho ho" pra desembarcar num "eu perguntava do you wanna dance?" ao invés de um saudável "let's go!".
Pretendia celebrar o meu dia do rock da maneira que eu acho ideal à noite. Não deu tempo. Já é praticamente um dia 14 de julho qualquer. Ano passado rolou comida mexicana. Esse ano, eu diria que o ponto alto foi um frapê de capuccino, do Habib's. Não me leve a mal, adoro o frapê de capuccino. Mas não era o que eu esperava para o meu dia do Rock, absolutamente. Não digo que eu queria uma bebedeira infernal com inconseqüências, promiscuidades e o som alto e prejudicial à saúde. Isso não seria ruim, tampouco. Mas, sério, nem de longe eu diria que as melhores coisas do meu dia do Rock foram um frapê de capuccino e a audição de um disco do The Hives.
Essa semana eu desconto.
20080622
Ao som das sirenes
Depois de amanhã é a entrega da pesquisa do TCC. E aí, esse semestre acabou. O próximo (e final) será muito mais divertido (e trabalhoso). A contagem regressiva está me matando.
Tive pesadelos a noite toda. Com gente que eu conhecia, com gente que eu não conhecia diretamente, com gente me cobrando da pesquisa e criticando tais e tais abordagens. Foi um horror. Tem sido bastante desesperador. E estou cansado, cansadocansadocansado.
Por isso tenho postado menos aqui. Isso não quer dizer que eu tenha abandonado o blogue nem nada. O meu Flickr, por exemplo, está em plena atividade. Postei ontem um álbum novo, com uma seqüência de fotos tiradas há algumas semanas, em uma feira, numa manhã de domingo.
Outra coisa legal é que comecei a entender o tal Twitter e como ele se diferencia disso aqui, por exemplo. Debutei no Twitter parafraseando Salinger:
Deveria reescrever isso lá. Eu realmente espero que assim o seja.
O toque do meu celular atualmente é um trecho da música Stress, do Justice. É totalmente proposital. É como as coisas têm soado, ultimamente, aqui dentro.
Não conhece a canção? Escute-a, graças ao Deezer.
Discover Justice!
Com exceção disso tudo, das sirenes e das furadeiras, as coisas estão ótimas. De verdade, e não apenas porque o The Hives vem ao Brasil! É incrível como a determinação real e pura consegue se sobrepor às improbabilidades do cotidiano.
É simplesmente incrível.
Tive pesadelos a noite toda. Com gente que eu conhecia, com gente que eu não conhecia diretamente, com gente me cobrando da pesquisa e criticando tais e tais abordagens. Foi um horror. Tem sido bastante desesperador. E estou cansado, cansadocansadocansado.
Por isso tenho postado menos aqui. Isso não quer dizer que eu tenha abandonado o blogue nem nada. O meu Flickr, por exemplo, está em plena atividade. Postei ontem um álbum novo, com uma seqüência de fotos tiradas há algumas semanas, em uma feira, numa manhã de domingo.
Outra coisa legal é que comecei a entender o tal Twitter e como ele se diferencia disso aqui, por exemplo. Debutei no Twitter parafraseando Salinger:
Espero que após o TCC eu esteja com todas as minhas fac- com todas as minhas f-a-c-u-l-d-a-d-e-s mentais intactas.
Deveria reescrever isso lá. Eu realmente espero que assim o seja.
O toque do meu celular atualmente é um trecho da música Stress, do Justice. É totalmente proposital. É como as coisas têm soado, ultimamente, aqui dentro.
Não conhece a canção? Escute-a, graças ao Deezer.
Discover Justice!
Com exceção disso tudo, das sirenes e das furadeiras, as coisas estão ótimas. De verdade, e não apenas porque o The Hives vem ao Brasil! É incrível como a determinação real e pura consegue se sobrepor às improbabilidades do cotidiano.
É simplesmente incrível.
20080613
Sexta-feira, 13
Hoje é sexta-feira, 13. Sexta-feira-treze.
bah,
que se foda, o The Hives vem pro Brasil.
!
bah,
que se foda, o The Hives vem pro Brasil.
!
20080612
Mate-me, por favor!
A melhor notícia do ano, de longe. De longe:
O The Hives tocará no Brasil!
O The Hives.
Já falei do Hives por aqui. Umas duas vezes.
E no final do post sobre o show do Devo, eu escrevi:
CARALHO! É a melhor notícia do ano!!
O The Hives tocará no Brasil!
O The Hives.
Já falei do Hives por aqui. Umas duas vezes.
E no final do post sobre o show do Devo, eu escrevi:
Não costumo me perder em sessões de nostalgia ou sequer reclamo de bandas ou músicas novas. Mas tou pra ver uma banda mais recente que consiga fazer um show tão empolgante quanto o Devo ou o Iggy com os Stooges (The Hives, espero por vocês!).
CARALHO! É a melhor notícia do ano!!
20080106
O melhor álbum de 2007/2008
O The Hives já é a minha nova banda favorita há alguns anos. Honestamente, eles são insuperáveis. Eles acertam, cada acorde, cada refrão, os riffs no lugar. As explosões durante as canções são simplesmente arrebatadoras. Adoro muitas bandas, artistas e cantores. Mas o Hives está sempre, sempre na frente. É aquela velha história da identificação imediata com as canções e seus temas, com a maneira que eles encaram a música e o mundo e a maneira como eu encaro a música, o mundo e as pessoas desse mundo.
Gritei e chorei assistindo ao Iggy Pop junto com os Stooges e tive reação extremamente semelhante quando vi o Devo. No duro, não sei qual seria a minha reação ao ver o Hives ao vivo. É uma dessas bandas que você fica sempre meio bobo e cheio de eufemismos para tentar expressar o quanto você os admira e não fica meio embaraçado depois simplesmente porque você morre de orgulho dessa banda! E qual a sua participação nisso? Mínima. E os caras são seus heróis.
Tenho os álbuns do Hives lançados por aqui, originais e tudo. O início com um punk de garagem muito competente em Barely Legal aos flertes entusiasmados com uma onda mais nova, a la Devo, em Tyrannosaurus Hives, cada disco do The Hives é um disco singular, próprio, sempre digno de ser chamado de "novo disco". São apenas quatro discos com quatro maneiras de fazer músicas. Todos com a mesma essência que marca a banda.
Veni Vidi Vicious é um marco. Foi o álbum em que eu conheci o The Hives e provavelmente metade do planeta também. É o álbum em que o estilo da banda ganha contornos mais marcantes e visíveis. Não me leve a mal, Barely Legal é energético e intenso mas pende para um álbum feito por jovens em busca de música boa e rápida muitas vezes. Ainda assim, uma banda de jovens boa pra caralho e que já começava a demonstrar uma maneira própria de fazer seu som e no álbum Veni Vidi Vicious, o The Hives definiu bem esse som. Aliás, definiu esse som como "Punkrock Avec KaBoom" e termo esse que faz sentido tremendo quando os primeiros acordes de "The Hives - Declare Guerre Nucleaire" o acolhe calorosamente para, em seguida, o levar aos pontapés por apenas um minuto e meio. Em seguida, o álbum transcorre com peso, energia, beleza e sujeira culminando com o hino sarcástico de "Supply And Demand". Você não nota e o você já está ouvindo o álbum de novo e de novo e de novo. E se apaixona pelo hino com clima de Elvis Presley no Paraíso Havaiano de "Find Another Girl", um cover extremamente competente da canção de Jerry Butler e adora cada uma das canções e não consegue escolher apenas uma porque todas têm aquela sensação de filhos queridos. E são os queridos filhos do vizinho. E vocês os adora como se fossem filhos seus.
Então, 2004. The Hives lança um novo álbum: Tyrannosaurus Hives. Saiu no Brasil em 2005 e tocou, por aqui, desde então. O álbum explode logo de cara com "Abra Cadaver", um minuto e meio ainda mais intenso que o do álbum anterior. Daquelas canções que você mal começa a ouvir e sente calafrios ao se imaginar ouvindo-a ao vivo com a banda logo ali, na sua frente. Citei Devo como influência e uma música como "Walk Idiot Walk" deixa isso bem claro. É quase mecânica e hipnótica, guitarras muito bem colocadas e uma linha de baixo tão típica do Hives que o faz querer apertar as mãos do Dr. Matt Destruction e cumprimentá-lo por essa e por tantas outras canções. Tyrannosaurus Hives é um álbum tão repleto de boas canções que você se pergunta por que afinal outras bandas que clamam escrever quinhentas canções novas para o novo álbum pegam duas realmente boas e quatro regulares regulares e seis ruins para compor este álbum? E não se surpreende por ser um outro álbum do The Hives. Um colega me disse uma vez que a música "A Little More For Little You" é uma Hives clássica. Concordei. Mas este álbum de 2004 contém tantas clássicas Hives como o anterior, Veni Vidi Vicious sem, em nenhum momento fazer a banda parecer uma "continuação" mas, como eu falei: Um álbum novo da mesma banda.
O The Hives foi formado em 1993, na Suécia mas o mundo só os ouviu mesmo com o relançamento do Veni Vidi Vicious em 2002. O álbum foi lançado em 2000 mas o relançamento foi um determinante porque voltemos ao início do século XXI: The Strokes e toda a nova onda do "novo rock" surgia de arrastão. Em uma entrevista, o vocalista do The Hives, Howlin' Pelle Almqvist comenta sobre esse momento de Strokes e White Stripes que "o que era chamado de rock tinha sido muito chato por muito tempo e algumas bandas apareceram de forma que pelo menos parecia excitante, tipo o deixava animado quando vocês as ouvia. Eu acho que havia coisas que tínhamos em comum e coisas que nós não tínhamos em comum mas nós tínhamos muito mais em comum do que qualquer outra coisa que estava por aí. Eu gosto dessas duas bandas e isso é mais do que eu posso dizer da maioria das bandas, então eu acho que foi bom". Aí, no álbum seguinte dessas bandas (com exceção louvável do White Stripes que é uma banda criativa pra burro) e outras que vieram posteriormente sob a mesma linha, o disco seguinte simplesmente soava muito próximo do anterior. Agora, nesse momento, além do Strokes, me vem logo de cara Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Libertines, Rapture, Futureheads e até o Scissor Sisters. Não me leve a mal, são álbuns extremamente divertidos e gosto de todas as bandas que citei mas inegavelmente são continuações do álbum anterior, variações aqui ou ali mas pouca inovação. Provavelmente parte das quinhentas canções que não entrou no álbum com um tapinha para soar como um material sutilmente diferente. "Não, não é igual, vê? Antes fazíamos pá pá pá tum tum e agora fazemos pá pá tum tum pá o que pode soar parecido quando a música toca e a linha repete-se mas você tem diferenças, sim".
Aí, por isso Tyrannosaurus Hives entra com um peso tão grande. Barely Legal é um álbum diferente do Veni Vidi Vicious e se o The Hives seguisse a ordem natural de "não se mexe em time que está ganhando", o Tyrannosaurus Hives não chegaria a lagartixa. Um outro fator que pesava contra era que seria o primeiro álbum do The Hives distribuído por uma grande gravadora, a Universal Music. Todos tememos uma abordagem mais linear da banda porque muito mais dinheiro estaria envolvido na produção do disco. E o álbum, quando foi finalmente lançado, mostrou que a banda foi mais longe. Lembro da minha primeira audição do Tyrannosaurus Hives, cheia de euforia e surpresa e quando o coloco para tocar, tenho as mesmas sensações.
ufa.
E tudo isso por que? Porque há dois dias adquiri o novo álbum do The Hives, o The Black and White Album. Não sabia que já tinha sido lançado por aqui em meados de novembro. Foda-se, eu já tinha baixado e tudo porque não agüentava a ansiedade. Contudo, ao colocar o disco ali, físico, para tocar e poder dançar e cantar junto, com o encarte em mãos, putaquepariu. O mesmo álbum que não sai do meu MP3 player há dois meses soou tão fresco e excitante como o dia que eu encontrei apenas uma alma caridosa no Soulseek com o álbum completo de quem fiz o download e ouvi, faixa a faixa, num Repeat All de audições infinitas. Um novo álbum, definitivamente. Um álbum monstruoso, aliás, de proporções imensas, melodias inesquecíveis e, aproveitando o trocadilho, inúmeros tons de cinza. É o álbum mais longo do The Hives. Aproximadamente 45 minutos, contra a média de 27 a 29 minutos dos anteriores. E ainda assim é um álbum tão rápido e intenso como um álbum do The Hives tem que ser. É o melhor álbum de 2007 e já o proclamo o melhor de 2008, também, por que não?
Faça um favor a si mesmo e ouça este álbum o quanto antes. Você me agradecerá depois!
e eu direi apenas
"Agradeça ao The Hives".
Gritei e chorei assistindo ao Iggy Pop junto com os Stooges e tive reação extremamente semelhante quando vi o Devo. No duro, não sei qual seria a minha reação ao ver o Hives ao vivo. É uma dessas bandas que você fica sempre meio bobo e cheio de eufemismos para tentar expressar o quanto você os admira e não fica meio embaraçado depois simplesmente porque você morre de orgulho dessa banda! E qual a sua participação nisso? Mínima. E os caras são seus heróis.
Tenho os álbuns do Hives lançados por aqui, originais e tudo. O início com um punk de garagem muito competente em Barely Legal aos flertes entusiasmados com uma onda mais nova, a la Devo, em Tyrannosaurus Hives, cada disco do The Hives é um disco singular, próprio, sempre digno de ser chamado de "novo disco". São apenas quatro discos com quatro maneiras de fazer músicas. Todos com a mesma essência que marca a banda.
Veni Vidi Vicious é um marco. Foi o álbum em que eu conheci o The Hives e provavelmente metade do planeta também. É o álbum em que o estilo da banda ganha contornos mais marcantes e visíveis. Não me leve a mal, Barely Legal é energético e intenso mas pende para um álbum feito por jovens em busca de música boa e rápida muitas vezes. Ainda assim, uma banda de jovens boa pra caralho e que já começava a demonstrar uma maneira própria de fazer seu som e no álbum Veni Vidi Vicious, o The Hives definiu bem esse som. Aliás, definiu esse som como "Punkrock Avec KaBoom" e termo esse que faz sentido tremendo quando os primeiros acordes de "The Hives - Declare Guerre Nucleaire" o acolhe calorosamente para, em seguida, o levar aos pontapés por apenas um minuto e meio. Em seguida, o álbum transcorre com peso, energia, beleza e sujeira culminando com o hino sarcástico de "Supply And Demand". Você não nota e o você já está ouvindo o álbum de novo e de novo e de novo. E se apaixona pelo hino com clima de Elvis Presley no Paraíso Havaiano de "Find Another Girl", um cover extremamente competente da canção de Jerry Butler e adora cada uma das canções e não consegue escolher apenas uma porque todas têm aquela sensação de filhos queridos. E são os queridos filhos do vizinho. E vocês os adora como se fossem filhos seus.
Então, 2004. The Hives lança um novo álbum: Tyrannosaurus Hives. Saiu no Brasil em 2005 e tocou, por aqui, desde então. O álbum explode logo de cara com "Abra Cadaver", um minuto e meio ainda mais intenso que o do álbum anterior. Daquelas canções que você mal começa a ouvir e sente calafrios ao se imaginar ouvindo-a ao vivo com a banda logo ali, na sua frente. Citei Devo como influência e uma música como "Walk Idiot Walk" deixa isso bem claro. É quase mecânica e hipnótica, guitarras muito bem colocadas e uma linha de baixo tão típica do Hives que o faz querer apertar as mãos do Dr. Matt Destruction e cumprimentá-lo por essa e por tantas outras canções. Tyrannosaurus Hives é um álbum tão repleto de boas canções que você se pergunta por que afinal outras bandas que clamam escrever quinhentas canções novas para o novo álbum pegam duas realmente boas e quatro regulares regulares e seis ruins para compor este álbum? E não se surpreende por ser um outro álbum do The Hives. Um colega me disse uma vez que a música "A Little More For Little You" é uma Hives clássica. Concordei. Mas este álbum de 2004 contém tantas clássicas Hives como o anterior, Veni Vidi Vicious sem, em nenhum momento fazer a banda parecer uma "continuação" mas, como eu falei: Um álbum novo da mesma banda.
O The Hives foi formado em 1993, na Suécia mas o mundo só os ouviu mesmo com o relançamento do Veni Vidi Vicious em 2002. O álbum foi lançado em 2000 mas o relançamento foi um determinante porque voltemos ao início do século XXI: The Strokes e toda a nova onda do "novo rock" surgia de arrastão. Em uma entrevista, o vocalista do The Hives, Howlin' Pelle Almqvist comenta sobre esse momento de Strokes e White Stripes que "o que era chamado de rock tinha sido muito chato por muito tempo e algumas bandas apareceram de forma que pelo menos parecia excitante, tipo o deixava animado quando vocês as ouvia. Eu acho que havia coisas que tínhamos em comum e coisas que nós não tínhamos em comum mas nós tínhamos muito mais em comum do que qualquer outra coisa que estava por aí. Eu gosto dessas duas bandas e isso é mais do que eu posso dizer da maioria das bandas, então eu acho que foi bom". Aí, no álbum seguinte dessas bandas (com exceção louvável do White Stripes que é uma banda criativa pra burro) e outras que vieram posteriormente sob a mesma linha, o disco seguinte simplesmente soava muito próximo do anterior. Agora, nesse momento, além do Strokes, me vem logo de cara Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Libertines, Rapture, Futureheads e até o Scissor Sisters. Não me leve a mal, são álbuns extremamente divertidos e gosto de todas as bandas que citei mas inegavelmente são continuações do álbum anterior, variações aqui ou ali mas pouca inovação. Provavelmente parte das quinhentas canções que não entrou no álbum com um tapinha para soar como um material sutilmente diferente. "Não, não é igual, vê? Antes fazíamos pá pá pá tum tum e agora fazemos pá pá tum tum pá o que pode soar parecido quando a música toca e a linha repete-se mas você tem diferenças, sim".
Aí, por isso Tyrannosaurus Hives entra com um peso tão grande. Barely Legal é um álbum diferente do Veni Vidi Vicious e se o The Hives seguisse a ordem natural de "não se mexe em time que está ganhando", o Tyrannosaurus Hives não chegaria a lagartixa. Um outro fator que pesava contra era que seria o primeiro álbum do The Hives distribuído por uma grande gravadora, a Universal Music. Todos tememos uma abordagem mais linear da banda porque muito mais dinheiro estaria envolvido na produção do disco. E o álbum, quando foi finalmente lançado, mostrou que a banda foi mais longe. Lembro da minha primeira audição do Tyrannosaurus Hives, cheia de euforia e surpresa e quando o coloco para tocar, tenho as mesmas sensações.
ufa.
E tudo isso por que? Porque há dois dias adquiri o novo álbum do The Hives, o The Black and White Album. Não sabia que já tinha sido lançado por aqui em meados de novembro. Foda-se, eu já tinha baixado e tudo porque não agüentava a ansiedade. Contudo, ao colocar o disco ali, físico, para tocar e poder dançar e cantar junto, com o encarte em mãos, putaquepariu. O mesmo álbum que não sai do meu MP3 player há dois meses soou tão fresco e excitante como o dia que eu encontrei apenas uma alma caridosa no Soulseek com o álbum completo de quem fiz o download e ouvi, faixa a faixa, num Repeat All de audições infinitas. Um novo álbum, definitivamente. Um álbum monstruoso, aliás, de proporções imensas, melodias inesquecíveis e, aproveitando o trocadilho, inúmeros tons de cinza. É o álbum mais longo do The Hives. Aproximadamente 45 minutos, contra a média de 27 a 29 minutos dos anteriores. E ainda assim é um álbum tão rápido e intenso como um álbum do The Hives tem que ser. É o melhor álbum de 2007 e já o proclamo o melhor de 2008, também, por que não?
Faça um favor a si mesmo e ouça este álbum o quanto antes. Você me agradecerá depois!
e eu direi apenas
"Agradeça ao The Hives".
20071116
"Planet Earth (I saw enough to make me cry on)"

O maior problema do Kasabian foi ter vindo depois do Devo. O Devo fez um show extremamente divertido, energético, fora de controle, imprevisível, lindo. Não cantaram Planet Earth como o título deste post implica ou como seria muito conveniente, dado o nome do evento mas cantaram muitas, muitas outras canções que todos queriam ouvir.

Há muitas outras músicas que deveriam ter entrado, é claro. Mas eles fizeram um show de uma hora e tantos minutos, lá pelos idos de uma hora e quinze minutos. Longo para um festival com muitas outras bandas mas curto para uma banda como o Devo de tantas músicas boas.

Retomando a comparação com o Kasabian, o problema foi ter visto senhores nos seus 60 anos pular e fazer um show com tanta energia, emoção e preocupação minutos antes de uma banda de rapazes muito mais jovens entrar, se colocar no palco, cantar e se limitar a gritar "Let me see your hands, Sao Paulooo" de tempos em tempos quando muito colocando as mãos para o alto também. Experiência de palco e etc, claro, faz diferença. Mas o problema é: Se você é apático uma vez, será sempre apático. E falando nisso, o show dos Strokes aqui, em 2005, uma das bandas responsáveis pelo "retorno do apático ao rock" fez um show que muitos reclamaram da altura do som (De onde eu estava o volume estava ótimo!) mas que mostrou que ser apático ou pouco empolgado ao palco pode muito bem ser um estilo e a base de um show extremamente divertido. O Kasabian pareceu apático a suas músicas, como quem não crê muito no que faz. Foi desconfortável.

O Devo, por sua vez, brincou o tempo todo, conversou com o público, cantou, tocou, dançou. E o público, juntamente, cantou, dançou, gritou. Na terceira música eu já não tinha voz. Arrancava ganidos da garganta para saudar aquela banda que mostrava para essa nossa geração que música boa é música com alma. Que ter ideologia e visão crítica não é ser chato ou niilista. O Devo falou da floresta amazônica, durante o show. Provou teorias ("How many people tonight. The De-Evolution is real!" com a resposta de um massivo e sonoro IIÉÉÉÉÉÉ!, inclusive de mim) e mostrou como suas músicas ficam ainda melhores ao vivo!

Em um dos exemplos mais divertidos, para mim, foi durante a canção Jocko Homo. A canção por si só já é genial quando diz coisas como "God made man but he used the monkey to do it. Apes in the plan, we're all here to prove it: I can walk like an ape, talk like an ape, I can do what a monkey can do. God made man but a monkey supplied the glue" mas no seu bordão é que as coisas pegam fogo. Basicamente, a banda faz uma pergunta e todos respondem em coro. "Are we not men? We are devo!", repetidas vezes, com variações silábicas. E assim foi no show, are we not men, we are devo, are we not men, d-e-v-o, are we not men, we are devo... Dado momento, continuando a canção, ao invés de Mark Mothersbaugh perguntar de novo "are we not men?", ele fez sons de macaco. E todos fizeram sons de macaco, repetindo. Duas, três vezes, aos berros. Parecia um culto, totalmente hipnótico, com pessoas gritando em resposta ao pastor. Já falei que foi incrível?

As fotos que eu tirei ficaram com a duvidosa qualidade que se espera de um celular com câmera fotográfica. Gravei alguns pedaços de áudio e até um trechinho de vídeo durante "Peek-a-Boo", a segunda canção. Boas fotos podem ser vistas no site do festival e até vídeos das canções, o que comprovará muito do que eu disse aqui.
O show do Devo encabeça, juntamente ao show do Iggy Pop e os Stooges, ocorrido no Claro Q É Rock, em 2005, como os melhores shows que eu já tive a oportunidade de ver. Agora, coincidência ou não, ambas bandas são bandas bem mais antigas do que a média que faz shows por aqui (E das que eu já vi) o que pode ou não ser uma espécie de "sinal dos tempos". Não costumo me perder em sessões de nostalgia ou sequer reclamo de bandas ou músicas novas. Mas tou pra ver uma banda mais recente que consiga fazer um show tão empolgante quanto o Devo ou o Iggy com os Stooges (The Hives, espero por vocês!).
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