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20090216

Vídeo: "Katie's Tea", Camille


"Katie's Tea" Experimental Video from Demétrius Daffara on Vimeo.

Eu e Diego produzimos este vídeo com a ajuda de nossa amiga Annelise.

A história da idéia é mais ou menos a seguinte: eu e Diego já produzimos experimentações com light art há algum tempo, mas até então toda incursão era feita com fotografias de longa exposição. Um dia no ano passado produzíamos algumas dessas fotografias utilizando o reflexo da luz em uma lente de uma outra câmera, que causava um efeito bonito e colorido, ainda que os pontos de luz que tínhamos em mãos fossem monocromáticos. Algumas fotografias depois, veio a idéia de fazer um vídeo e fizemos um meio que aleatoriamente. Assistindo ao vídeo, que já teve um efeito muito legal, colocamos para tocar uma música qualquer que eu tinha no celular. Em muitos momentos o vídeo sincronizava com a música e era uma coisa sensacional. Em seguida, decidimos por uma música, "Katie's Tea" da Camille, e gravamos um novo vídeo.

Não houve ensaio nem nada. Colocamos para tocar alguns instantes do final da música anterior (uma de Beethoven) e quando a música começou, deixamos a coisa tomar forma por si só.

O resultado é o vídeo acima. Houve até uma interferência durante a gravação, quando um SMS chegou em meu celular e interrompeu a música por dois segundos. Mas o vídeo está integral, com uma única alteração: sincronizei o áudio da música com maior qualidade sobrepondo o áudio que utilizamos como guia no dia da gravação.

Espero que gostem.

20080717

fa.vo.ri.tis.mo - S. m.


Duo - 020708, upload feito originalmente por rx-queen (minha irmã!).



Tenho uma método muito pessoal de classificar as pessoas. Não todas, só pessoas que eu amo e tenho profunda admiração e respeito. Sinto-me à vontade para falar e sei que a pessoa sente-se à vontade para me falar, quando necessário. São aquelas poucas pessoas que me deixam meio fascinado, pessoas cujas vitórias, sucessos e projetos me são tão caros e importantes quanto os meus próprios, e os insucessos me chateiam igualmente. A quem eu quero contar coisas grandes, pequenas, importantes e as mais cretinas que eu posso conceber e vice-versa. Quero mostrar e discutir músicas, livros, filmes e idéias. São minhas pessoas favoritas.
É um favoritismo saudável, são favoritas frente à média populacional, sem parcialidade ou escolha. São apenas pessoas que me vêm à cabeça quando penso em pessoas e, que me vêm à cabeça agora quando penso sobre pessoas e, mais especificamente, pessoas favoritas. É uma coisa meio esquisita, difícil de definir. Não idolatro ou sobreponho. Somos pessoas diferentes e iguais, em tantos pontos, isso é uma constante. Mas é a mais fraca. Pareço-me com pelo menos uma centena de pessoas, ainda que cada um seja único. Identifico poucas pessoas que se destacam, assim.
Posso conhecer muitas pessoas e gostarei de algumas tantas e amarei outras poucas. Mas, pessoas que considero favoritas estão em uma escala menor.
Não posso definir uma escala de amor, mas são pessoas que eu amo com toda sinceridade. E é importante notar que não consigo mais namorar uma mulher que, de repente, percebo ser uma pessoa favorita. Absolutamente não consigo.
A única razão para me sentir compelido a não fazê-lo, imagino, é justamente por proteção. Não existe espaço para a paixão ou o desejo. O amor toda conta de tudo e, nos casos em que previamente houve a paixão, ela me parece tão pequena, insignificante e insuficiente que é substituída pelo amor, ainda que já houve um caso em que as propriedades foram mantidas e amplificadas.
Nos casos em que não houve um envolvimento prévio, que é onde se aplica a maior parte absoluta dos casos e, esses, sem restrição de idade, gênero, tempo ou distância, simplesmente amo a pessoa e a única expectativa, talvez requisito, é a sinceridade e honestidade recíprocas. Não é apenas isso, mas o restante é abstrato demais, ainda que demasiadamente significativo.

Não digo à todas as minhas pessoas favoritas que eu as amo. Muitas vezes não digo nem que elas são assim, minhas favoritas. Não muda muito as coisas, eu acho. Não sei fazer nada sem amar e sou redundante em amar, sem perceber. Devo ter muita sorte.

20080608

Os Insetos Misteriosos


Os Insetos Misteriosos, upload feito originalmente por Cap. Dmtr.

A quem souber o nome dessa espécie de inseto, é favor informar.

Grato,

20080504

Papo firmeza

A semana que passou foi uma semana de recesso escolar na Metodista. É o equivalente ao Spring break de universidades norte-americanas, canadenses, japonesas, etc. Na Universidade Metodista de São Paulo é conhecida como "Semana do Saco Cheio".

Trabalhei até quarta-feira (porque na quinta-feira foi feriado, felizmente) e até às 22h30 da quarta-feira, o que significa que a Semana do Saco Cheio valeu meio que o mesmo que um saco de merda, quando estimamos que eu deveria estar em recesso, lendo meus trabalhos e fazendo as minhas pesquisas para o TCC. Só consegui fazê-lo a partir de quinta-feira e, desde então, tô em um bate-papo firmeza com o meu amigo, o Freud. O Lynch às vezes aparece e conversa um pouco também.

Em resumo, o meu TCC buscará analisar, ahem, "A influência dos sonhos na construção e desenvolvimento do Processo Criativo" e, como estudo de caso, analisaremos a obra de David Lynch. A pesquisa está caminhando muito bem mas me assusta um pouco a composição do texto que terá de ser feita, em breve. Não tanto assim, claro. Nos meus bate-papos firmezas com o Freud eu aprendo bastante e além disso, gosto quando ele comenta que a obra de outro autor sobre os sonhos é "volumosa mas sem consistência" ou coisas do tipo. Ele é um velho meio intragável, concordo mas, é sensacional ler esse tipo de comentário em notas adicionadas em edições posteriores do livro (mas anteriores já há uns 99 anos atrás). É uma literatura densa, um pouco difícil. Mas de inegável charme e valor. É definitivamente interessante e instigante. Fugi um pouco para escrever aqui, fazer um ou outro trabalho necessário e então, voltar ao Freud.

Um exemplo clássico do charme Freudiano.

20080427

Eu, Spam.

Quando eu tento acessar qualquer blogue do blogspot, inclusive o meu, recebo a seguinte mensagem:



Apaguei cookies e tudo. Não ajudou nada. Vou desconectar e voltar porque provavelmente é o IP que o Speedy pegou ou coisa assim.

Mas eu me lembrei, instantaneamente, daquela comunidade, Eu acho que sou um SPAM cuja descrição abrange aquelas imagens dificílimas para diferenciar se você é uma máquina ou gente mesmo. Não é sempre mas a maior parte das vezes eu fico em dúvida e arrisco mas, me deparo com "A seqüência digitada não corresponde com a imagem exibida. Favor, tentar novamente" e é de foder porque aparece outra seqüência diferente.

E não é apenas em verificações virtuais que me deparo com a possibilidade de ser Spam. Se eu fosse um spam, na vida real, provavelmente seria um da Velha Surda porque não é possível. Em um exemplo recente, ontem eu estava comendo algo com uma amiga, no Habib's, antes de seguirmos para a Virada Cultural. Ela me contava sobre a sua cabeleireira.

— E ela é uma mulher que além de cobrar barato pelo corte, tem uma vivência incrível, ela conhece de tudo, de filmes a música e tudo o mais mas, olhando pra ela você não diz.
— Por que?
— Ela é negra, gordinha, com cabelão comprido e saia longa, parece uma dona-de-casa comum mas, já viajou pra fora e tudo, até. E ela tem uma filha, que é paralítica.
— Como é? — perguntei meio estarrecido.
— Paralítica, ela tem um problem--
— Ah! Ufa, paralítica! Menos mal!
— Menos mal?!
— Não! Não é isso! É que eu entendi que você tinha dito que a filha dela era "paraíba" e eu pensei "meu deus, eu não sabia que a Flávia tinha esse preconceito".
— Hahahahahahahahahah!
— Hahahahahahahahah!
— Mas não, imagina. Ela é paralítica mesmo.
— E eu sou meio velha surda.



Eu, Spam.

20080121

Pratos do Dia

   Ou ainda, dos últimos dias e de alguns que ainda virão:




   E de sobremesa,



tic tac tic tac tic tic tic...

20080110

Funny Games

   Este ano, um dos filmes que eu estou mais ansioso para assistir é uma refilmagem.



O Funny Games original, de 1997, saiu por aqui com a incisiva tradução de "Violência Gratuita" que só conheço de cópias em vídeo ainda que exista uma versão raríssima em DVD, é um filme de produção austríaca dirigido pelo Michael Haneke e é excelente. Sério, é um filme extremamente consciente, voraz, inquietante e inesquecível. A Violência Gratuita do título em português é apenas uma impressão (do meu ponto de vista, errônea) sobre as ações do filme. Um filme bagaceira e horrível como "Albergue" merecia ser chamado de Violência Gratuita porque o filme exibe um sadismo babaca e gratuito na intenção de chocar o espectador. A história é muito mais rala do que de muita pornografia e é um filme que de fato banaliza a violência de uma maneira que o cinema não precisava ver ou ainda, poderia ser mostrado mas não sugere nenhuma discussão real além da exibição seqüencial de imagens explícitas - é chamado de "Torture Porn". Não apenas filmes mas toda a mídia em si, a banalização da violência é algo real, constante e inconsciente. As pessoas têm ânsia por cada vez mais, mais e mais e tanto se perde no caminho.
Então, foi feito este filme em 1997.
E então, um remake será lançado agora, em 2008:



O remake será um desses remakes do tipo cena-a-cena, como no remake de Psicose feito por Gus Van Sant baseado na obra de Hitchcock. As diferenças são:
a) Será feito em terreno norte-americano;
b) Terá uma distribuição e publicidade maior do que o filme anterior possibilitando um maior acesso ao filme;
c) É dirigido pelo Michael Haneke, novamente!


Funny Games é um filme que subverte a narrativa tradicional de um filme. No site oficial do remake o diretor do filme pergunta
Como podemos fazer que a audiência perceba seu papel na perda da realidade? Como o espectador pode ser transformado de vítima da mídia em potencial participante?

para em seguida nos responder
A questão não é o que temos o direito de mostrar mas como promover o entendimento, não como retratar a violência mas como deixar os espectadores ver sua relação com ela e a maneira que ela é representada.

E é uma ótima oportunidade para ver esse filme no cinema já que eu não sei como foi o lançamento do filme original por aqui, se foi direto para vídeo ou o quê. Além disso, podemos considerar como fator positivo que a versão de 1997 deverá ser relançada em DVD como é praxe no lançamento de remakes. Saiu em DVD pelo selo "Cult Filmes" em 2000 e atualmente vale ouro em sites de leilão por aqui.

Aliás, coloquei uma pequena cena do filme e não coloquei o trailer.
Sendo assim,



Agora é só aguardar o lançamento que está previsto para o dia 28 de março. Com muita ansiedade, eu diria. No meio tempo, vale a pena procurar por uma cópia do filme, ainda que em VHS, para poder assistir e ver por si mesmo e estabelecer seu próprio julgamento quanto ao filme.

O meu eu já estabeleci.

20080106

O melhor álbum de 2007/2008

O The Hives já é a minha nova banda favorita há alguns anos. Honestamente, eles são insuperáveis. Eles acertam, cada acorde, cada refrão, os riffs no lugar. As explosões durante as canções são simplesmente arrebatadoras. Adoro muitas bandas, artistas e cantores. Mas o Hives está sempre, sempre na frente. É aquela velha história da identificação imediata com as canções e seus temas, com a maneira que eles encaram a música e o mundo e a maneira como eu encaro a música, o mundo e as pessoas desse mundo.

Gritei e chorei assistindo ao Iggy Pop junto com os Stooges e tive reação extremamente semelhante quando vi o Devo. No duro, não sei qual seria a minha reação ao ver o Hives ao vivo. É uma dessas bandas que você fica sempre meio bobo e cheio de eufemismos para tentar expressar o quanto você os admira e não fica meio embaraçado depois simplesmente porque você morre de orgulho dessa banda! E qual a sua participação nisso? Mínima. E os caras são seus heróis.

Tenho os álbuns do Hives lançados por aqui, originais e tudo. O início com um punk de garagem muito competente em Barely Legal aos flertes entusiasmados com uma onda mais nova, a la Devo, em Tyrannosaurus Hives, cada disco do The Hives é um disco singular, próprio, sempre digno de ser chamado de "novo disco". São apenas quatro discos com quatro maneiras de fazer músicas. Todos com a mesma essência que marca a banda.

Veni Vidi Vicious é um marco. Foi o álbum em que eu conheci o The Hives e provavelmente metade do planeta também. É o álbum em que o estilo da banda ganha contornos mais marcantes e visíveis. Não me leve a mal, Barely Legal é energético e intenso mas pende para um álbum feito por jovens em busca de música boa e rápida muitas vezes. Ainda assim, uma banda de jovens boa pra caralho e que já começava a demonstrar uma maneira própria de fazer seu som e no álbum Veni Vidi Vicious, o The Hives definiu bem esse som. Aliás, definiu esse som como "Punkrock Avec KaBoom" e termo esse que faz sentido tremendo quando os primeiros acordes de "The Hives - Declare Guerre Nucleaire" o acolhe calorosamente para, em seguida, o levar aos pontapés por apenas um minuto e meio. Em seguida, o álbum transcorre com peso, energia, beleza e sujeira culminando com o hino sarcástico de "Supply And Demand". Você não nota e o você já está ouvindo o álbum de novo e de novo e de novo. E se apaixona pelo hino com clima de Elvis Presley no Paraíso Havaiano de "Find Another Girl", um cover extremamente competente da canção de Jerry Butler e adora cada uma das canções e não consegue escolher apenas uma porque todas têm aquela sensação de filhos queridos. E são os queridos filhos do vizinho. E vocês os adora como se fossem filhos seus.

Então, 2004. The Hives lança um novo álbum: Tyrannosaurus Hives. Saiu no Brasil em 2005 e tocou, por aqui, desde então. O álbum explode logo de cara com "Abra Cadaver", um minuto e meio ainda mais intenso que o do álbum anterior. Daquelas canções que você mal começa a ouvir e sente calafrios ao se imaginar ouvindo-a ao vivo com a banda logo ali, na sua frente. Citei Devo como influência e uma música como "Walk Idiot Walk" deixa isso bem claro. É quase mecânica e hipnótica, guitarras muito bem colocadas e uma linha de baixo tão típica do Hives que o faz querer apertar as mãos do Dr. Matt Destruction e cumprimentá-lo por essa e por tantas outras canções. Tyrannosaurus Hives é um álbum tão repleto de boas canções que você se pergunta por que afinal outras bandas que clamam escrever quinhentas canções novas para o novo álbum pegam duas realmente boas e quatro regulares regulares e seis ruins para compor este álbum? E não se surpreende por ser um outro álbum do The Hives. Um colega me disse uma vez que a música "A Little More For Little You" é uma Hives clássica. Concordei. Mas este álbum de 2004 contém tantas clássicas Hives como o anterior, Veni Vidi Vicious sem, em nenhum momento fazer a banda parecer uma "continuação" mas, como eu falei: Um álbum novo da mesma banda.

O The Hives foi formado em 1993, na Suécia mas o mundo só os ouviu mesmo com o relançamento do Veni Vidi Vicious em 2002. O álbum foi lançado em 2000 mas o relançamento foi um determinante porque voltemos ao início do século XXI: The Strokes e toda a nova onda do "novo rock" surgia de arrastão. Em uma entrevista, o vocalista do The Hives, Howlin' Pelle Almqvist comenta sobre esse momento de Strokes e White Stripes que "o que era chamado de rock tinha sido muito chato por muito tempo e algumas bandas apareceram de forma que pelo menos parecia excitante, tipo o deixava animado quando vocês as ouvia. Eu acho que havia coisas que tínhamos em comum e coisas que nós não tínhamos em comum mas nós tínhamos muito mais em comum do que qualquer outra coisa que estava por aí. Eu gosto dessas duas bandas e isso é mais do que eu posso dizer da maioria das bandas, então eu acho que foi bom". Aí, no álbum seguinte dessas bandas (com exceção louvável do White Stripes que é uma banda criativa pra burro) e outras que vieram posteriormente sob a mesma linha, o disco seguinte simplesmente soava muito próximo do anterior. Agora, nesse momento, além do Strokes, me vem logo de cara Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Libertines, Rapture, Futureheads e até o Scissor Sisters. Não me leve a mal, são álbuns extremamente divertidos e gosto de todas as bandas que citei mas inegavelmente são continuações do álbum anterior, variações aqui ou ali mas pouca inovação. Provavelmente parte das quinhentas canções que não entrou no álbum com um tapinha para soar como um material sutilmente diferente. "Não, não é igual, vê? Antes fazíamos pá pá pá tum tum e agora fazemos pá pá tum tum pá o que pode soar parecido quando a música toca e a linha repete-se mas você tem diferenças, sim".

Aí, por isso Tyrannosaurus Hives entra com um peso tão grande. Barely Legal é um álbum diferente do Veni Vidi Vicious e se o The Hives seguisse a ordem natural de "não se mexe em time que está ganhando", o Tyrannosaurus Hives não chegaria a lagartixa. Um outro fator que pesava contra era que seria o primeiro álbum do The Hives distribuído por uma grande gravadora, a Universal Music. Todos tememos uma abordagem mais linear da banda porque muito mais dinheiro estaria envolvido na produção do disco. E o álbum, quando foi finalmente lançado, mostrou que a banda foi mais longe. Lembro da minha primeira audição do Tyrannosaurus Hives, cheia de euforia e surpresa e quando o coloco para tocar, tenho as mesmas sensações.


ufa.

E tudo isso por que? Porque há dois dias adquiri o novo álbum do The Hives, o The Black and White Album. Não sabia que já tinha sido lançado por aqui em meados de novembro. Foda-se, eu já tinha baixado e tudo porque não agüentava a ansiedade. Contudo, ao colocar o disco ali, físico, para tocar e poder dançar e cantar junto, com o encarte em mãos, putaquepariu. O mesmo álbum que não sai do meu MP3 player há dois meses soou tão fresco e excitante como o dia que eu encontrei apenas uma alma caridosa no Soulseek com o álbum completo de quem fiz o download e ouvi, faixa a faixa, num Repeat All de audições infinitas. Um novo álbum, definitivamente. Um álbum monstruoso, aliás, de proporções imensas, melodias inesquecíveis e, aproveitando o trocadilho, inúmeros tons de cinza. É o álbum mais longo do The Hives. Aproximadamente 45 minutos, contra a média de 27 a 29 minutos dos anteriores. E ainda assim é um álbum tão rápido e intenso como um álbum do The Hives tem que ser. É o melhor álbum de 2007 e já o proclamo o melhor de 2008, também, por que não?

Faça um favor a si mesmo e ouça este álbum o quanto antes. Você me agradecerá depois!
e eu direi apenas

"Agradeça ao The Hives".

20071227

Noite Feliz

Tradicionalmente, a cada ano eu faço um cartão natalino temático. Às vezes é como uma pequena série, de dois ou mais cartões. Esse ano fiz apenas um cartão mas que particularmente, gostei muito:


O que parece ser uma composição meio absurda de árvore de natal, bolas de natal, presente, laço e uma Fada do Panetone é, na verdade um pretexto para você juntar as indicações A e B - na versão impressa é mais fácil do que dobrar o monitor. Porém, dobrando, você tem essa imagem:


Um Papai Noel de monóculo. É uma homenagem às dobradinhas MAD, só para dar uma função a mais para um cartão de Natal, como uma brincadeira mesmo.

Não consegui terminar a tempo de entregar a versão impressa para todo mundo para quem eu queria enviar o cartão e meio que aprendi a lição: Ano que vem, começo o cartão no final de novembro, ainda que em novembro do ano que vem eu vou estar surtando com a entrega ou a apresentação do meu TCC. Na véspera de Natal escrevi os cartões que eu entregaria à minha família, que já estavam devidamente impressos porém, escrevi com uma daquelas canetas comuns de desenho e como eu imprimi em um papel fotográfico mesmo para conseguir entregar o cartão (Ainda bem que existe a Fotóptica!) a tinta não secava, ficava meio assim então, à meia-noite houve a tradicional ceia e troca de presentes porém, os cartões estavam no meu quarto, secando.

Comi e passei uma agradável madrugada de Natal em New Jersey. No dia 25, à noite, enviaria os cartões às demais pessoas. Porém, enviei o cartão para cada uma das pessoas por e-mail, assim, como aqui, nas duas versões e a explicação. Acho meio escroto aqueles scraps automáticos porque tem quase tanto valor quanto os e-mails que as lojas virtuais te mandam no Natal. Ou seja, muito impessoal, é como se a pessoa dissesse "Olha só, é Natal e tudo mas me faça um favor, tenho muito mais o que fazer e estou cagando pra essa putaria toda mas quero manter um certo círculo de amizades". E além dos meus amigos mais antigos e das pessoas que conheci esse ano, tinha um grupo grande de pessoas que trabalharam comigo no Sesc na exposição Loucos por Cinema que são todos muito queridos também! Aí eu fui enviando os e-mails pelo meu catálogo de contatos do Thunderbird, além de alguns de Orkut e, depois de muito cartões enviados já era 23h e a minha irmã veio aqui.

Carol: Mé, posso ver o meu e-mail?
Eu: Pode sim, tô enviando esse cartão aqui, acho que já é o último!
Carol: Você ainda tá enviando os cartões? Mandou um pra mim?
Eu: Não, né! O seu eu entreguei em mãos!
Carol: Hm... Não... Não entregou não!
Eu: Sério?
Carol: Sério.
Eu: Puta merda! Esqueci os cartões secando lá em cima!

Subi ao meu quarto. Lá estavam os cartões, em um canto. A tinta secou mas borrou tudo. Estava ilegível e castanho. Traduzi os cartões, reescrevendo-os em novos cartões. Entreguei à minha família em meio a explicações e pronto. Eu tinha que quase estragar tudo no Natal, como eu sempre faço.

Estava tudo resolvido. Até, obviamente, nesse momento, dia vinte e sete de dezembro eu me dar conta de que eu não enviei o e-mail de Natal para o pessoal do Loucos por Cinema porque eles estavam numa parte não comum do catálogo de endereços mas numa parte específica, num grupo chamado "Loucos Por Cinema".

Sutil.

20071216

Meu amigo flexível

   O drama do meu cartão começou há algum tempo. Talvez meses. Possuo um daqueles cartões do Banco Real Universitário Internacional. Tem o cartão comum e o minicard, que nada mais é que um cartão "43% menor" bem inútil, que não o permite fazer saques em caixas rápidos ou de auto-atendimento mas quebra um galho em vendas a débito ou crédito, pessoalmente ou não.


   Certo dia, noto que perdi o cartão grande. Provavelmente, estaria em meio às minhas coisas, em meu quarto. Não sou uma pessoa que seria chamada de "organizada" - obviamente organização é uma questão de ponto de vista porque para mim, como para qualquer desorganizado do mundo (Uni-vos!) há uma organização que obedece regras internas e pessoais. Eu só começo a me preocupar quando as coisas desaparecem e eu não faço a menor idéia de onde elas estejam. Ou quando as pilhas de organização começam a atrapalhar a passagem. Então, eu estava no meio de um projeto da faculdade e fazendo um estágio durante esse semestre o que me impossibilitava de
a) arrumar o quarto porque eu estava ocupado e cansado demais nos poucos momentos livres que surgiam; e
b) sem o meu cartão de crédito/débito.

Ainda bem que ainda possuía o tal minicard. Não me permitia sacar dinheiro nos caixas por aí, só na boca do caixa, após aquelas filas desumanas de gente com problemas realmente impossíveis de serem resolvidos no caixa rápido. Como o meu estágio ocupava basicamente o horário útil de um banco, era raro eu ter dinheiro em mãos. Só comia ou bebia ou comprava ou freqüentava lugares que aceitassem Visa. Não, meu senhor, não é crédito não, é débito mesmo, é que eu perdi o cartão comum e não consigo sacar dinheiro mas eu tenho algum dinheiro em conta. Repeti essa desculpa inúmeras vezes, quase um mantra, uma explicação meio boba mas para mim, importante, porque às vezes o valor da compra era relativamente baixo e voilà, não tinha papel ou moeda que cobrisse isso. Mas esse dinheiro numeral e eletrônico tava lá.

   O minicard também me permitia utilizar a função crédito, online ou em lojas quaisquer, o que era bom para presentes e compras pessoais. Pretendia comprar assim alguns presentes de Natal, hoje ou amanhã, para chegar no decorrer dessa semana, preferencialmente antes do Natal. Não seria nada dispendioso. O estágio acabou, estou meio quebrado por hora mas Natal é Natal! Além disso, tem uma meia dúzia de filmes que eu quero ver e com a promoção dos 3r$ para estudantes em alguns cinemas de São Paulo seria uma pechincha! Ainda bem que cinema aceita débito.

   Não tinha efetivamente cancelado meu cartão porque imaginava que estava perdido no meu quarto. Estava no meio dos processos da faculdade, com gastos eventuais e importantíssimos para o desenvolvimentos dos trabalhos e compra de materiais realmente necessários. Seria fácil, arrumaria meu quarto, acharia o cartão e ficaria tudo bem, sem transtornos.

   Ontem, de repente, comecei a arrumar meu quarto à maneira clássica. Minha arrumação costuma ser lenta, eu não seria um bom diarista se diaristas-homens fossem comuns. Sou de baixíssima produtividade porque quando eu arrumo as minhas coisas, funciona como uma viagem no tempo, um regresso a dias passados, um grande e bonito flashback. Leio papéis e anotações, faço organizações temáticas, cromáticas, de texturas e momentos. É um processo cansativo mas gratificante. Depois, começo a colocar cada grupo ou momento em seus lugares, a arrumação devida. Quando já tinha passado por todos os cantos do meu quarto e olhado em todos os blocos de papel, livros, revistas, anotações, desenhos, rascunhos, panfletos, post-its, caixas e pacotes, pensei
"pomba, perdi o cartão mesmo".

   Impulsivamente agarrei o minicard e liguei correndo para o Real Cartões para cancelar o cartão atual e pedir o outro. Fui atendido pela Daiana, moça simpática que confirmou meus dados para minha segurança e me pergunta
"quando o cartão foi perdido? Hoje mesmo?"
"Ahm... Dei pela perda ainda agora mas ele já tá desaparecido há algumas semanas, acho que um mês", o que é mentira. Faz bem mais que isso mas me senti constrangido em falar que estava sem o cartão há tanto tempo porque não tinha olhado no meu quarto ainda.
"Certo, senhor. Então, com o cancelamento do cartão atual, naturalmente o senhor quer uma nova via do cartão, não?"
"Isso! Preciso de um cartão novo, por favor"
"Sim, só um instante"
...
"Senhor, o seu cartão já está cancelado e em até sete dias úteis você receberá em seu endereço uma nova via do seu cartão!"
"E do minicard também?"
"Sim, senhor. Do minicard também. Note que a partir de agora o minicard que o senhor já possui não irá mais funcionar"
"Ah, tudo bem! Obrigado! Feliz Natal!"
"Obrigada, feliz Natal também! Boas festas!"

   Desliguei o telefone com um sorriso natalino no rosto, aquele sorriso meio bobo de boas festas que você ostenta após esse tipo de cordialidade. Pensei "Puxa, que moça simpática!" e tornei para arrumar o quarto. Minutos depois, o estalo:

   O cartão tá cancelado, o maldito cartão tá cancelado, o que inclui o minicard. Caralho, caralho! Como eu sou idiota! Como é que eu vou comprar os presentes de Natal? Como? Hm... posso sacar dinheiro ou, se comprar online, boleto bancário. Demora um monte e é uma provação de paciência mas vale a pena... ufa. E como em lojas virtuais os descontos compensam um monte, saindo mais barato que em lojas físicas e com frete grátis em todo lugar, compensa muito mais. Preguiça de encarar lojas cheias na semana antes do Natal. E o cinema? Meu deus! O cinema! O que eu faço com o cinema? Vou ter que sacar o dinheiro, de qualquer maneira, não tem jeito.

   Aí, notei como eu sou cretino e ansioso. Poderia ter esperado mais três dias para cancelar o cartão, comprar o que eu tinha para comprar e ver meus filmes mas não. Liguei, cancelei e me fodi.

   Agora, cartão de crédito só em sete dias úteis.

20071213

Papai Noel?!


They know that santa's on his way..., upload feito originalmente por Ye Captain.

Minha mãe é professora em uma escola pública. Essa semana, ela chegou em casa suspirando e depois, ela grita do alto das escadas "Filho, quer ser o papai noel da escola sexta-feira?". "Ser o papai noel?", eu perguntei. "É, precisamos de alguém para se vestir de papai noel lá na escola!"; "Se eu aceitasse, o que eu teria de fazer?" e ela me disse "Ah, é só conversar com as crianças, distribuir livros, essas coisas. Nós mesmos distribuiríamos os livros mas aí surgiu a idéia do Papai Noel fazer isso!"

Um silêncio curto.

"Livros, né? Eu vou distribuir livros para elas, certo?"
"Isso. Livros."


Então hoje minha mãe me trouxe a roupa de Papai Noel para eu experimentar.

Amanhã, debuto.

A ver.

20071206

Matemática

   Pegue uma edição muito interessante de cinco discos do filme Blade Runner.

Traga para o Brasil.

Daí, fica assim:


   Posso até ouvir o diálogo na Warner:

Pessoa 1: "Ah, mas pra que tantos discos?! Vamos colocar em três só!"
Pessoa 2: "É, fica mais bonito ó: Um disco vermelho, um amarelo e um azul. Não entendo ter um disco verde e um roxo!"
Pessoa 1: "Cara... São as cores primárias! Nada ver botar o verde e o roxo. Sabe... Elas são secundárias!"
Pessoa 2: "Faz todo o sentido! Bora lançar essa edição tripla!"



   Só para relembrar, lá fora há a edição com dois, quatro e cinco discos. A última é a que vem na maleta. Aqui, há apenas uma edição tripla. Aparentemente, tirando o número de discos (E a foto de divulgação mais magra), não perdemos nada de brinde:

DVD Triplo + Maleta Exclusiva

Contém:
- Imagem holográfica do filme
- Coleção de imagens do filme
- Carro (spinner car)
- Unicórnio


   Ah, claro. Lá fora também tem uma carta do Sir Ridley Scott mas, para isso eu estou cagando. O que me incomoda é ter um edição recapeada sem os benditos extras que estão nos dois discos que faltam. O que seria realmente um motivo interessante para comprar essa maleta. Mas a Warner, sempre competente e ligada no mercado coloca a mesmíssima edição tripla por 60r$ no mercado contra os 300r$ cobrados pela maleta, um unicórnio de Origami, um carrinho de plástico e meia dúzia de fotografias.

   A parte boa é que como essa edição fresca vai atolar no mercado, ano que vem vai dar pra encontrar por um precinho camarada por aí. Ou ainda aguardar a edição de cinco discos ser lançada. Ou importar a edição de cinco discos norte-americana.

   Pomba, o disco quatro é cheio de "featurettes" e o quinto tem aquela "Workprint Version", a versão "Radicalmente diferente". Enfim, lançarão uma Edição Especial Definitiva sem dois discos, incluindo outra versão do filme. Não parece muito definitivo pra mim.

   Vai ver não colocaram porque não souberam como traduzir "Workprint Version"

Pessoa 1: "V-V-Vo-Vorquiprinte Verssom? Ixi... Corta, corta."

20071116

"Planet Earth (I saw enough to make me cry on)"

   O Planeta Terra, o festival, foi incrível. Aliás, como eu comentei, eu fui ver o Devo e para o show do Devo eu cheguei, apenas. Vi depois o Kasabian, bandinha medíocre de show bobo e repetitivo. Não conhecia a banda e sinceramente, não senti a menor vontade de conhecer (Em 2005, com Kings of Leon foi justamente o oposto. Conhecia um pouco mais e não gostava muito. Vi ao vivo e achei muito bom!).


   O maior problema do Kasabian foi ter vindo depois do Devo. O Devo fez um show extremamente divertido, energético, fora de controle, imprevisível, lindo. Não cantaram Planet Earth como o título deste post implica ou como seria muito conveniente, dado o nome do evento mas cantaram muitas, muitas outras canções que todos queriam ouvir.


   Há muitas outras músicas que deveriam ter entrado, é claro. Mas eles fizeram um show de uma hora e tantos minutos, lá pelos idos de uma hora e quinze minutos. Longo para um festival com muitas outras bandas mas curto para uma banda como o Devo de tantas músicas boas.


   Retomando a comparação com o Kasabian, o problema foi ter visto senhores nos seus 60 anos pular e fazer um show com tanta energia, emoção e preocupação minutos antes de uma banda de rapazes muito mais jovens entrar, se colocar no palco, cantar e se limitar a gritar "Let me see your hands, Sao Paulooo" de tempos em tempos quando muito colocando as mãos para o alto também. Experiência de palco e etc, claro, faz diferença. Mas o problema é: Se você é apático uma vez, será sempre apático. E falando nisso, o show dos Strokes aqui, em 2005, uma das bandas responsáveis pelo "retorno do apático ao rock" fez um show que muitos reclamaram da altura do som (De onde eu estava o volume estava ótimo!) mas que mostrou que ser apático ou pouco empolgado ao palco pode muito bem ser um estilo e a base de um show extremamente divertido. O Kasabian pareceu apático a suas músicas, como quem não crê muito no que faz. Foi desconfortável.


   O Devo, por sua vez, brincou o tempo todo, conversou com o público, cantou, tocou, dançou. E o público, juntamente, cantou, dançou, gritou. Na terceira música eu já não tinha voz. Arrancava ganidos da garganta para saudar aquela banda que mostrava para essa nossa geração que música boa é música com alma. Que ter ideologia e visão crítica não é ser chato ou niilista. O Devo falou da floresta amazônica, durante o show. Provou teorias ("How many people tonight. The De-Evolution is real!" com a resposta de um massivo e sonoro IIÉÉÉÉÉÉ!, inclusive de mim) e mostrou como suas músicas ficam ainda melhores ao vivo!


   Em um dos exemplos mais divertidos, para mim, foi durante a canção Jocko Homo. A canção por si só já é genial quando diz coisas como "God made man but he used the monkey to do it. Apes in the plan, we're all here to prove it: I can walk like an ape, talk like an ape, I can do what a monkey can do. God made man but a monkey supplied the glue" mas no seu bordão é que as coisas pegam fogo. Basicamente, a banda faz uma pergunta e todos respondem em coro. "Are we not men? We are devo!", repetidas vezes, com variações silábicas. E assim foi no show, are we not men, we are devo, are we not men, d-e-v-o, are we not men, we are devo... Dado momento, continuando a canção, ao invés de Mark Mothersbaugh perguntar de novo "are we not men?", ele fez sons de macaco. E todos fizeram sons de macaco, repetindo. Duas, três vezes, aos berros. Parecia um culto, totalmente hipnótico, com pessoas gritando em resposta ao pastor. Já falei que foi incrível?


   As fotos que eu tirei ficaram com a duvidosa qualidade que se espera de um celular com câmera fotográfica. Gravei alguns pedaços de áudio e até um trechinho de vídeo durante "Peek-a-Boo", a segunda canção. Boas fotos podem ser vistas no site do festival e até vídeos das canções, o que comprovará muito do que eu disse aqui.



   O show do Devo encabeça, juntamente ao show do Iggy Pop e os Stooges, ocorrido no Claro Q É Rock, em 2005, como os melhores shows que eu já tive a oportunidade de ver. Agora, coincidência ou não, ambas bandas são bandas bem mais antigas do que a média que faz shows por aqui (E das que eu já vi) o que pode ou não ser uma espécie de "sinal dos tempos". Não costumo me perder em sessões de nostalgia ou sequer reclamo de bandas ou músicas novas. Mas tou pra ver uma banda mais recente que consiga fazer um show tão empolgante quanto o Devo ou o Iggy com os Stooges (The Hives, espero por vocês!).

20070905

O melhor sanduíche da história

   Ontem fui ao Burger King. Comi o melhor sanduíche de todos os tempos. Chama-se BK Stacker. Há o duplo, o triplo e o quádruplo, correspondente com a quantidade de hamburgeres, queijo e bacon que virá. Obviamente comi o quádruplo.


   É incrível como é delicioso. E quase mortal. De acordo com esse artigo na Wikipedia, o quádruplo, composto de quatro hamburgeres e oito fatias de bacon tem 1000 calorias, 240mg de colesterol, 1800mg de sódio e 3g de gordura do tipo trans. Nesse artigo sobre gordura trans, dizem que o recomendável é consumir até 2g de gordura trans por dia, e o consumo excessivo aumenta as chances de aparecer "a placa de gordura no interior de veias e artérias, que pode causar infarto ou derrame cerebral".

   Não sei se a versão brasileira tem as mesmas características nutricionais. No fundo, eu realmente não me importo, eu só procurava o número certo de bacons que o BK Stacker tem, via de regra. E esse número é oito. Deliciosamente mortal ou mortalmente delicioso? Eu diria, se me permite licença poética, que é deliciosamente delicioso.

   Se você come carne e, como eu, não acredita em gordura trans, deus, coma esse sanduíche. Se você acredita na marvada, recomendo comer pra entender como a gordura trans melhora a sua comida.

   Sei que isso soa muito como propaganda mas é que eu fiquei tão feliz, um tanto emocionado até, em encontrar um cheese bacon tão farto e saboroso que estou, informalmente declarando o fim do "Circuito X-Bacon". Não quero me antecipar mas agora, duvido muito que outro sanduíche me impressonará tanto. Pomba, assim que eu peguei o sanduíche e dei a primeira mordida, logo senti o bacon crocante e no ponto. O delicioso hamburger da Burker King, grelhado. E cãibra no maxilar.

   Francamente, ao comer o sanduíche você entende o que é a cãibra. É um sinal de que deus quer espalhar a sua palavra através de deliciosas oito fatias de bacon.

OBS: A foto do sanduíche na Wikipédia está um horror. Desconsidere-a. O que eu comi, pelo menos, era melhor do que a foto de divulgação que eu postei aqui, no duro mesmo!

20070903

Blade Runner - The Final Cut


   Exibido pelo Ridley Scott no sábado, durante o 64º Festival Internacional de Veneza, mais uma montagem do filme Blade Runner que, de acordo com o diretor, "esse sim é 'Blade Runner' como eu o havia imaginado".

   Por um lado, acho a atitude interessante. Afinal, a obra é dele, e ele a manipula como quiser. Se você não gostar, ignore-a ou faça você mesmo um novo "Blade Runner", oras. Por outro, não gosto tanto dessas alterações de obras consagradas, atualizações de toda forma. Aprecio restaurações, definitivamente. Isso deveria acontecer até com maior freqüência, para preservar as obras. Mas essas alterações acabam, pra mim, rompendo com a beleza errada de um filme de um diretor inexperiente, um filme que simplesmente simboliza aquele período da vida dele e do mundo, de forma geral.

   Na realidade, isso dificilmente se caracterizaria um problema, uma vez que considero o primeiro lado, acima de tudo. Porém, o caso de "Blade Runner" retringe a propriedade intelectual da versão original uma vez que, após o lançado da "Versão do Diretor" em 1992, a versão original (Existem duas: A "Versão de Cinema" e a "Versão Internacional") tornou-se rara. Aliás, quase que impossível. Fitas VHS antigas, que você encontra por aí geralmente já são da versão do diretor. Os DVDs, o mesmo problema. Consegui ver a "Versão de Cinema" apenas após baixar o filme em Divx, apenas. A "Versão Internacional", se é que há tanta diferença assim, nunca vi. Com isso, a sensação que fica é que o Ridley Scott não apenas faz alterações da sua obra mas nega o passado dela, o que é um erro tremendo.


   O problema todo, dizem, é que como em 1982 ele estourou o orçamento do filme, editaram "Blade Runner" sem a participação do Ridley Scott. Em 1992, para redimir o problema, Ridley Scott lançaria a dita "Versão do Diretor", contudo, novamente disse que o apressaram, etc, etc, etc, não foi dessa vez. Essa "Montagem Final" começou a ser feita em 2000 e não foi lançada antes por problemas judiciais até que, ano passado, foi relançada a "Versão do Diretor" em DVD - naquela caixa vermelha bacanuda e agora, no aniversário de 25 anos da versão original, essa "Final Cut" "será projetada em salas de Nova York e de Los Angeles em 5 de outubro, e depois será distribuído em todo os Estados Unidos a partir de 18 de dezembro".

   Essa distribuição a partir de dezembro será através de DVD (E nas recentes HD-DVD e Blue-Ray) e é aqui que a coisa fica interessante. Haverá uma versão dupla da "Final Cut":


   Uma versão quádrupla com todas as versões existentes incluindo a "Final Cut":


   E por fim, uma edição ultra especial com cinco discos e um monte de frescuras como um unicórnio em Origami, um documentário de três horas e meia, fotografias e etc, além de um outra versão ainda, a "Versão Workprint", que dizem ser a "mais radicalmente diferente" - a conferir:
(Há um comentário no Amazon.com que detalha os Extras da versão)

   Ficam as dúvidas em relação ao lançamento disso aqui no Brasil. Acho improvável - mas não impossível - o lançamento nos cinemas daqui, nem que seja em um ou dois. E o lançamento em DVD, honestamente, adoraria ver a versão da maleta e cinco discos mas acho mais provável a edição de quatro discos ou mesmo a de cinco discos em caixa, enfim. A Warner, aqui no Brasil, não tem sido muito generosa. Por exemplo, vende os filmes do Kubrick, daquela coleção de caixas brancas, ultimamente a um preço consideravelmente baixo o que indica que poderiam lançar as edições duplas e especiais de alguns desses filmes ("2001 - Uma Odisséia no Espaço", "Laranja Mecânica" e "O Iluminado" já são possíveis de comprar em pré-venda, com lançamento em outubro, lá fora) mas não há nenhum anúncio do tipo, por aqui. Freqüentemente esse tipo de coisa simplesmente não chega aqui ou chega com limitações.

   Lá, nos Estados Unidos, duas edições especiais de "O Mágico de Oz" foram lançadas. A dupla e a tripla. A diferença ficava no tipo de embalagem, mais extras na edição tripla além de bobices como 9 fotos, uma reprodução do ingresso da estréia do filme, um livreto, esse tipo de coisa que todos adoramos. Aqui no Brasil só foi lançada a edição tripla, que apesar de parecer limitante, é compreensível, pelo menos lançaram a melhor versão. Os extras, nos discos, todos intactos e legendados, o que é ainda pouco usual, aliás. Porém, das nove fotos, apenas cinco figuram na embalagem tupiniquim, e só. Nada de livreto ou ingresso. Ainda assim, considero um lançamento de extrema qualidade, considerando o mercado brasileiro de DVDs, de maneira geral e da minha coleção pessoal, é dos que tenho mais orgulho.


   De volta ao "Blade Runner", mesmo que vier sem os extras físicos - unicórnio de origami, fotografias e etc - já ficaria extremamente feliz de um lançamento competente, e legendado, do filme, com os cinco discos. O legal seria a um preço acessível, afinal, lá está sendo vendido a US$55. Claro, nesse aspecto já não tenho nenhuma esperança mas em relação a uma edição decente, por que não?

20070823

Ra·ta·tui

   Após um susto no quintal, minha mãe proclamou: "Tem um rato aqui em casa". Apesar dos esforços, ele alojou-se aqui, na sala onde fica o computador. Só descobrimos a criatura após notarmos um pouco de serragem, roída de um móvel e assim sendo, colocamos veneno aqui. Não qualquer veneno mas o Mortein Isca Para Ratos, um pacotinho simpático, exatamente este aqui:



   A descrição, sempre entusiasta, nos diz que "para garantir que o rato coma a isca, Mortein Rodasol é preparada com ingredientes que os roedores gostam, sendo muito atrativas para eles" e que "a maioria das mortes ocorrerá entre 5 a 7 dias após o consumo das iscas" e além disso, intuitivamente "os ratos se afastarão da casa para morrer". Você não abre o pacote, você o deixa em locais estratégicos e como tem ingredientes que nenhum rato dispensaria, ele roerá o pacote, comerá o veneno, sentirá as dores da morte e possivelmente deixará sua casa para morrer em Paris ou ver a família uma vez que seu destino está selado. Apesar de toda a poesia da coisa, e eu tinha lá minhas esperanças no negócio, dia após dia deparávamo-nos com as frustrantes embalagens imaculadas, sem o menor sinal de contato de nosso pequeno amigo, o que, convenientemente denota que o rato aqui tem um paladar diferente do que os tantos para os quais aquele fast-food seria um tremendo banquete.

   Nesse meio tempo, em algumas poucas ocasiões, sentado aqui, me deparei com o rato. Duas foram claras: Ele passou por mim e entrou em um armário que fica na altura do chão ao passo que, eu, corajosamente, corri atrás e coloquei um saco de ração de 20KG contra a porta do armário. É um rato muito pequeno, cinzento, cauda longa e passo apressado. O outro momento deu-se instantes depois, quando o rato veio correndo em minha direção, vindo do mesmo lugar, com saco de ração e tudo, quando eu impulsivamente me mexi na cadeira, dei com os joelhos na mesa do computador e com o estrondo causado, o rato virou as costas e voltou para seu esconderijo.

   Já defendia a idéia de uma ratoeira aqui em casa por razões meramente estéticas, admito. Desde criança, meu único contato com ratos em casa deu-se com os incontáveis hamsters que tive, todos com o aval de animal de estimação. Ratos, enquanto praga, é a primeira vez e impulsionado pelos excitantes desenhos de caça ao rato, sabia que nada dizia tão bem, em imagens, que há um rato pela casa do que uma ratoeira. Só tive absoluta certeza após Flávia me dizer que certa vez, em sua casa, um rato grande e preto aterrorizava sua família. O veneno, similar a grãos de ração canina, colocado por diversos locais da casa era encontrado na sala, toda manhã, religiosamente empilhado e intacto. O rato possuído só foi exterminado após a colocação de ratoeiras pela casa. Um argumento irrefutável. Foi um tanto decepcionante ver que as ratoeiras de hoje em dia não são tão bacanas como as dos desenhos animados. Parecem mais funcionais do que belas. Aliás, são assustadoras até para alguns de nós.



   Em compensação, são baratas. Custaram cerca de R$0.80 cada. Como trata-se de apenas um rato em um ambiente pequeno, duas já pareceram suficientemente agressivas, com suas proporções respeitadas. Mantendo a animada tradição, um pequeno cubo de queijo seria a isca perfeita.

   Dois dias depois, em uma delas, a isca perfeita foi retirada, sem ativar o sistema. A outra, por sua vez, permanece fria e sedenta, o queijo endurecendo desagradalvemente e pude constatar algum tipo de fungo se formando ali, cinco dias depois.

   Não sei exatamente o que é que há com esse rato. Diria que era imaginário, definitivamente, se não o tivesse visto. Não tenho certeza se foi ele quem pegou o queijo da primeira ratoeira e se o fez, como que não ativou a ratoeira? Sinceramente, tenho medo de pensar que estou diante de outro caso de possessão em ratos. Ou quem sabe, de um novo astro da Disney.

20070730

Ingmar Bergman morreu.

"O teatro é o começo, o fim, é tudo, enquanto o cinema
pertence ao âmbito da prostituição"


   Tudo bem, Bergman. Tá perdoado.

   descanse em paz.

20070729

Jean-Paul Belmondo planeja voltar ao cinema para refilmagem de clássico

da Folha Online


(...)     Belmondo planeja seu regresso cinematográfico sob comando de Francis Huster, que estuda a refilmagem de "Umberto D" (1955), obra-prima de diretor italiano Vittorio de Sica.(...)

   Produzida por Jean-Louis Livi, a nova versão francesa de "Umberto D" contará a história de um professor aposentado que vive na miséria, com um cachorro como única companhia e terá outro título.(...)


   Caralho. Não perdoaram nem Umberto D.

20070724

Nem de graça.

   Meu pai aniversariará na próxima sexta-feira e, para celebrar, levará a família para assistir ao novo Harry Potter no cinema. Meu pai e minha irmã são, definitivamente, fãs do rapaz e eu, bem, não. Tanto que vi o primeiro e o segundo filmes inteiros, pedaços do terceiro na HBO e do quarto eu não faço idéia do que acontece. Os livros eu adiei por esses anos com a desculpa de que eu sou ansioso demais e que só leria um Harry Potter quando a saga toda estivesse completa o que é ou não uma mentira deslavada que só o tempo provará. Fato é, eu não iria ao cinema assistir ao quinto Harry Potter sem ter assistido os dois anteriores, por razões óbvias. Além do que, novos personagens podem ter surgido e sendo assim, eu tornaria-me o chato do cinema que vez ou outra levanta a questão "Quem é esse? Ele é amigo ou inimigo? Quais os poderes dele?" ou coisa assim. Para tanto, esta tarde, fui à locadora para locar os dois filmes.

   Chovia. Chovia muito. Cheguei à locadora, que estava com metade coberta com um plástico preto, pois está em reforma e com os pés molhados dirige-me ao balcão onde uma moça de cabelos loiros (falsos), que já provara suas habilidades e discernimentos de atendente de videolocadora outras vezes, estava, junto a um computador.

- Oi, eu preciso de três filmes.
- Sim, pois não?
- Eu preciso do terceiro e do quarto filmes do Harry Potter...
- ...
- ... É que é aniversário do meu pai na sexta-feira e ele vai levar todo mundo pra ver o novo filme então, eu achei que precisava recuperar o tempo perdido.
- Ah sim. E qual o outro?
- "Últimos Dias".
- Mas que filme é esse "Últimos Dias" que tá todo mundo pedindo??
- Sabe o filme "Elefante"?
- ...
- Aquele que na capa tem uma moça dando um beijo num rapaz de cabelos bem louros e camiseta amarela, sabe?
- Ah tá. Sei.
- Então! É do mesmo diretor!
- Ah tá. É um documentário, então.
- Não... Nesse "Últimos Dias", o diretor, o Gus Van Sant, conta a história de um rockstar famoso que parece que é baseado na história do Kurt Cobain, do Nirvana e bem, aparentemente ele isolou-se nesse lugar e está vivendo seus... últimos dias.
- ... Ah tá. Um documentário, saquei. Então, você quer o Harry Potter: O Prisioneiro de Azkaban e o Cálice Sagrado, isso?
- Hm. Acho que sim.
- Tá.

E ela saiu de trás do balcão e foi andando pelas prateleiras. Deus sabe o porquê eu fui atrás. Acho que como eu não tinha engolido a história de documentário eu queria respostas. Ela virou ao lado do saco preto de reformas e enquanto ela dirigia-se para a prateleira onde estavam os filmes, eu parei, maravilhado. Um tesouro, daqueles. Dezenas, talvez centenas de filmes em VHS, mal empilhados, em um canto. De súbito, falei:

- Ei! O que são esses filmes? Porque eles estão aqui?
- São pra doação - falou um rapaz que estava junto aos filmes.

Eram pra doação. Pra um orfanato não sei o quê ou asilo blábláblá, não sei, juro que não conseguia ouvir.

- Se você quiser dar uma olhada antes que a gente leve, pode ver quais você quer e pegar. São pra doação mesmo!

Coloquei-me ajoelhado junto a uma pilha de filmes e comecei a ver, um a um.

- Mesmo?
- Claro!

A próxima coisa que percebi foi uma pilha de filmes que batia no meu peito e ainda faltava um pouco menos da metade dos filmes para inspecionar. No final das contas, peguei 45 filmes. Eles deixaram um para trás que estava separado, então, 46. Quarenta e seis filmes semi-novos em folha. Quarenta e seis!





Muitos filmes ruins, ruins. Muitos filmes ruins, bons. Alguns bons, mesmo. Peguei de tudo.



Notei outro vício de linguagem que muitos de nós temos e eu não era exceção. Sabe aqueles filmes que vocês diz que "Não quer ver nem de graça" ou em casos menos sérios, "Não pagaria pra ver mas assistiria de graça"? Pois bem, a primeira regra não vi exceções. Mas na segunda, diversos filmes eu pegava, olhava e então, como estava de graça, classificava como "Nem de graça". Juro que foi bastante esclarecedor.



Dentre tantos filmes bacanas, destacarei alguns dignos de menção.


Vimos Os Suspeitos à venda, até em bancas promocionais de DVDs de 9,90, o que já era excelente. Aqui, em VHS, a caixa está um pouco danificada mas a fita, intacta!



O pomo da discórdia, dublado.



Uma incrível surpresa.



E outra, tão incrível quanto.



Um filme que é sempre bom ter em mãos, não é mesmo?



Ah, e é claro! Navalha na Carne e sua excelente (quase sensual) capa.


A parte triste é que alguns filmes estavam sem caixa e outros estavam sob uma goteira. Muitos mereciam estar assim mas outros, não. Assim sendo, salvei quatro:


("Assassinato no Expresso Oriente"; "Os Deuses Devem Estar Loucos II"; "Batman - O Retorno" e; "Era Uma Vez no México".)

E bem, hoje entendi como uma criança se sentiria numa fábrica de doces (o mesmo exemplo pode ser aplicado a Gordos e Presuntos) o que, devo dizer, foi incrível. Eu estava não apenas com os pés molhados mas metade das pernas também por causa do guarda-chuva e só fui notar isso novamente quando cheguei em casa. Outra analogia que me vem à cabeça e que cabe é aquele programa Supermarket, no qual as pessoas tinham que encher seus carrinhos com MILHO PARA PIPOCA YOKI ou CANELA EM PÓ PARA DOCES MESTRE CUCA ou seja lá o que o apresentador dizia-os para procurar. Mas um pouco mais livre e tudo.

Enfim, só mais uma fotografia. In memoriam ao pessoal do orfanato de velhinhos.