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20080601

Sonhos de conveniência

   Freud diz que há alguns sonhos que são chamados de sonhos de conveniência. Aliás, ele defende que todos os sonhos são de conveniência quando parte-se da idéia de que sonhamos para não acordar. Sonhamos para realizarmos os nossos desejos enquanto dormimos. Mas há os que são explicitamente de conveniência.

Por exemplo.

Eu queria trabalhar de madrugada, aqui em casa, redigir meu TCC no silêncio da noite, para não ter distrações. Para tanto, ontem, por volta das 23h, me deitei pra dormir por cerca de duas horas, duas horas e meia, e aproveitar bem a madrugada, me enganando que tinha dormido um pouco, pra não parecer que pulei uma etapa. À 1h30, meu celular tocou e naquela confusão entre estar acordado e estar dormindo, desliguei o alarme e voltei a cabeça pro travesseiro, me perguntando o porquê do celular despertar aquele horário.

Me passou pela cabeça, então, que era para eu fazer meu TCC. Sendo assim, redigi meus textos do TCC e a madrugada foi incrivelmente proveitosa. Consegui terminar o capítulo sobre os sonhos e comecei a adiantar outros dois! Foi a coisa mais incrível que poderia ter me acontecido!

Acordei então, subitamente.
Era 5h19 e eu estava deitado na minha cama.

Levei alguns minutos para voltar ao normal e entender que a proveitosa madrugada foi um sonho. Um sonho de conveniência, tal qual e tão claro quanto Freud falou. Sonhei que realizava meu trabalho de forma que meu sono não fosse interrompido para que tivesse de fazê-lo. Como, psiquicamente, o TCC estava sendo feito, eu pude então dormir tranqüilo, a noite toda.



Droga.

20080412

Ruído

De quinta para sexta eu dormi pouquíssimo. Precisava terminar uns trabalhos que era pra sexta-feira-ontem. No final das contas, o que faltava me ocupou a tarde toda e, de qualquer maneira, não foi necessário entregar ontem. Ficou pra segunda. Apesar de ter dormido pouco mais de duas horas, o dia foi bem produtivo e tudo, com alguns lapsos aqui e ali mas produtivo. Pronto.

À noite, fui ao Cinesesc. Há um festival dos Melhores Filmes de 2008 e foi exibido o Império dos Sonhos (Inland Empire) do David Lynch. Já tinha visto o filme e é incrível. Com essa chance de ver no cinema, novamente e sob pretexto do TCC — a minha monografia será sobre sonhos com um estudo de caso do David Lynch —, fui. O filme acabou meia-noite e qualquer coisa. Sem chance de voltar para casa, ficamos em um bar até os transportes públicos voltarem a circular.

Eu tinha uma palestra na DRC sobre o InDesign CS3 para ir. Marquei isso há um tempão e estava realmente disposto a ir. Queria ter voltado cedo pra casa justamente por isso mas eu estava sem chances de voltar. Cheguei em casa às sete horas e a palestra seria às dez. Eu cheguei em casa com o sono acumulado de dois dias conturbados e ruidosos e eu estava realmente, realmente cansado. No caminho para casa eu pensei "Vou chegar, tomar um banho e já ficar pronto pra ir". Chegando em casa, percebi que nem bem conseguia sentir minhas pernas e decidi dormir um pouco. Por apenas trinta minutos, para esticar as pernas. Caso contrário, minhas pernas poderiam ceder, eu cairia em algum lugar e acabaria dormindo ali mesmo então, me coloquei na cama. Aí, dormi.

E dormi forte.

Acordei às 10h26 em choque, puto, puto, puto. Perdi a porra da palestra. Sou um irresponsável do pior tipo. Lembrei que quando o celular tocou, eu estava naquele estado de sonhar acordado. Nesse estado de uma forma bem acentuada. Lembro de um barulho absurdo, ridiculamente irritante. E eu não conseguia achar o botão, qualquer botão do celular. Eu apertava as costas do celular insistentemente, tentando cessar aquele barulho. Uma tristeza.

Enfim, perdi a maldita palestra. Diabos. E então... Que remédio?

Dormi até o meio-dia.